
A Articulação de Esquerda (AE), uma das correntes mais incisivas dentro do Partido dos Trabalhadores, lançou duras críticas à direção partidária, ao governo e à campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. As cobranças vieram após o presidente petista ser superado pelo senador Flávio Bolsonaro por pouco mais de dois milhões de votos no primeiro turno das eleições de 2026. Em documento divulgado nesta quinta-feira (8), a AE acusa o PT e seus responsáveis pela campanha de terem cometido "erros gravíssimos", embora ainda veja chances para Lula vencer no segundo turno.
A corrente aponta que houve uma subestimação da força dos adversários, trabalhando com a expectativa equivocada de que a eleição seria decidida logo na primeira rodada presidencial. Além disso, o documento critica veementemente a estratégia de focar excessivamente em "comparar legados e entregas", impedindo que o PT apresentasse um projeto claro para o futuro do país. Para a AE, essa ênfase no passado falhou ao não disputar as perspectivas futuras de forma mais assertiva diante da ascensão das forças conservadoras.
As críticas se estendem à organização eleitoral em nível estadual e à gestão interna do PT. A Articulação de Esquerda reclama especificamente da ausência de candidaturas petistas nos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, da demora na definição do nome para o governo de Minas Gerais e avalia que a campanha paulista teria se limitado apenas a "cumprir tabela". O grupo ainda mira a direção nacional do PT, acusando parte dela de apresentar "incompetência, inapetência e falta de tesão", especialmente no comando geral da campanha.
O documento conclui alertando que alguns dos erros cometidos são irreversíveis, exigindo correções imediatas se o partido desejar vencer. A AE enquadra o segundo turno como uma disputa de alcance internacional crucial, sendo decisiva para o futuro do Brasil e da América Latina em uma batalha contra "Trump, a extrema direita e o imperialismo". Para os petistas, trata-se, fundamentalmente, de impedir que o crime organizado reconquiste o poder federal, ameaçando as liberdades civis e sufocando qualquer possibilidade de desenvolvimento e soberania nacional.
Mín. 20° Máx. 31°