
Dez dos quinze candidatos com até 29 anos que acumularam mais interações nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições de 2026 foram eleitos para o Legislativo. Este dado foi revelado pelo Instituto Democracia em Xeque, em parceria com a PUC-SP, após monitorar 65,7 mil publicações realizadas por 691 candidatos entre 16 de agosto e 4 de outubro. O resultado confirma que o engajamento digital se traduziu diretamente em mandato, um movimento que aponta para uma nova forma de conquistar votos fora das velhas estruturas partidárias.
O levantamento demonstrou que os dez eleitos representam cerca de 67% dos jovens no topo do ranking de audiência nas plataformas Instagram, TikTok, X, Facebook e YouTube. Em números absolutos, essa é a maior taxa de sucesso registrada nas últimas quatro disputas eleitorais: 59 dos 831 jovens aptos a concorrer conquistaram assentos legislativos. Lucas Pavanato (PL-SP), com apenas 28 anos, liderou este ranking e garantiu vaga na Câmara com a segunda maior votação da história para o cargo.
A ascensão da direita jovem é clara neste panorama. Eduarda Campopiano (PL-SP), de 23 anos, figurou em sétimo lugar e conquistou um assento na Assembleia Legislativa de São Paulo, recebendo ainda a maior votação para deputada estadual do estado. Além disso, o estudo destacou a importância da articulação política, já que Pavanato e Campopiano contaram com a participação do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), reforçando a influência das lideranças conservadoras na juventude eleitoral. A presença de Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) não é candidato na lista dos jovens triunfadores coroa ainda mais essa onda positiva, enquanto André Fernandes (PL-CE) e Julia de Castro (PL-RJ) também são nomes destacados.
Mesmo com a força avassaladora da direita nas redes, o espectro da esquerda garantiu seu espaço através do digital. Guilherme Cortez (Psol-SP), de 28 anos, foi eleito ocupando a sexta posição no ranking. Já Ana Elisa Santos (PT-MG), aos 21 anos, ficou em 13ª colocação e também conquistou mandato. É notável que ela não apenas se destacou pelo conteúdo direcionado ao público jovem, mas passou a colaborar diretamente com a estratégia digital da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno, provando que mesmo os projetos tradicionais dependem do engajamento popular para sobreviver à pressão das novas lideranças digitais.
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