O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), exigiu respostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de uma reportagem da revista Veja que aponta repasses de cerca de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre a trajetória do petista. A matéria divulgada pela publicação incluiu um áudio onde o empresário Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília e ligado a negociações com ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, detalha os valores destinados ao filme, além de pagamentos efetuados ao Instituto Lula. Tarcísio questionou diretamente o presidente sobre sua suposta ignorância acerca desse financiamento, enquanto o PT manteve a defesa da inexistência de qualquer ilegalidade no processo.
A reportagem da Veja esclarece que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e detentor dos relatos, vinculou os repasses a acordos negociados com João Vaccari Neto, visando facilitar negócios envolvendo fundos de pensão de estatais. Além disso, a revista atribui a Vorcaro acusações de cobrança de propina na ordem de 10% sobre os montantes captados, citando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), e informando que um anexo do caso foi levado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em vídeo publicado em redes sociais, Tarcísio usou a situação para reforçar o histórico de problemas do governo Lula. O governador provocou o presidente com a afirmação: “Que o Lula e o PT andam de braços dados com a corrupção, a gente já sabe.” Ele relembrou escândalos passados, como o Gamecorp, o Mensalão, o Petrolão e os roubos do INSS, concluindo sua crítica ao perguntar: “Eu quero saber agora se ele não sabia que recebeu dinheiro para financiar o próprio filme. Diz aí, Lula”. A menção a esse cenário foi reforçada pela lembrança de Flávio Bolsonaro (PL), que havia solicitado patrocínio a Vorcaro para financiar *Dark Horse*, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em resposta ao ataque do governador paulista, o PT atacou a reportagem e negou qualquer ilegalidade, defendendo que Lula não solicitou ou recebeu vantagem financeira de Vorcaro nem autorizou terceiros a receber dinheiro em seu nome. A defesa de Daniel Vorcaro, representada pelo advogado Daniel Bialski, confirmou a voz do dono do Master no áudio, embora tenha ressaltado a incerteza sobre o momento exato da gravação. Outros defensores, Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz, não confirmaram integralmente o conteúdo divulgado pela revista e condenaram a publicação de supostos anexos provenientes de uma colaboração premiada ainda não sacramentada.