
O jornalista Mario Sabino avalia que, mesmo preso e incomunicável, Jair Bolsonaro emerge como o grande vencedor do primeiro turno das eleições de 2026. Paralelamente a essa vitória avassaladora, o Supremo Tribunal Federal (STF), seu principal algoz, figura como o maior perdedor da disputa. Lula se vê obrigado a encarar um bolsonarismo fortalecido, com Flávio Bolsonaro pavimentando caminho para a Presidência e, consequentemente, abrindo portas para a libertação do pai.
O bloco de direita demonstra força inédita no Congresso; o Senado já possui maioria suficiente para impulsionar processos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes. Embora Flávio sinalize prioridade à paz após assumir, seu compromisso com a derrubada do "amigão togado" é incancelável e esperado por milhões de eleitores, juntamente com a aprovação da anistia geral para os condenados pelo 8 de janeiro. Essa massa de eleitores dificilmente aceitará um escambo entre a liberdade de Jair Bolsonaro e a preservação do poder do principal carrasco do ex-presidente.
O desempenho do bolsonarismo foi amplificado pela performance nacional de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que humilhou Fernando Haddad nas urnas. Embora Jair Bolsonaro não tenha sido candidato em 2026, o fato de ele ter arriscado ter seu sobrenome na disputa com Flávio solidificou a direita como um todo. Essa jogada garantiu que os defeitos do candidato fossem ofuscados pela artilharia suja contra ele, atraindo votos de outros concorrentes da direita e forçando os políticos do STF a fazerem "o diabo" pela reeleição de Lula.
Apesar das manobras judiciais, o objetivo de desestabilizar Alexandre de Moraes não será abandonado. Caso Flávio Bolsonaro não vença Lula nas urnas, a hipótese de um golpe judicial alegando ingerência norte-americana é alta. A ironia reside no fato de que os próprios golpistas são aqueles que atuaram em nome da defesa da democracia. Enquanto o lulismo luta para encontrar herdeiros visíveis após um terceiro mandato considerado pífio e desastroso, o bolsonarismo avança com Tarcísio de Freitas como figura nacional, mostrando-se mais simpático ao ideário conservador brasileiro.
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