Justiça DECISÃO JUDICIAL
Justiça de São Paulo prorroga prisão temporária de ex-presidente da Câmara Municipal
Milton Leite é investigado por suspeita de envolvimento com o PCC no transporte público e nega acusações
15/10/2026 10h43
Por: VV8 REDAÇÃO
Richard Lourenço/Rede Câmara

A Justiça de São Paulo prorrogou por 30 dias a prisão temporária do ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, e outros investigados na Operação Vectura Corrupta. De acordo com informações da Polícia Civil, Leite se entregou à polícia em 18 de setembro, na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, após ser considerado foragido por não comparecer no prazo de 24 horas após o período em que os agentes não o localizaram em sua residência.

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) investigam a suspeita de envolvimento do ex-vereador na infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital, com acusações apontando Leite como o dono da Transwolff. Durante buscas na casa de um assessor do ex-vereador antes de sua entrega, foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (equivalentes a R$ 457 mil no câmbio do dia), totalizando cerca de R$ 737 mil.

Em depoimento à Corregedoria em fevereiro de 2026, o segundo-sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário afirmou que Leite era o dono da Transwolff e que os demais diretores atuavam como "laranjas", ressalvando que ouvia essa versão e não poderia comprová-la. Cezário foi preso em operação contra policiais que faziam a segurança dos ex-diretores da empresa, Luiz Carlos Efigênio Pacheco e Cícero de Oliveira. Outro capturado, o capitão Alexandre Paulino Vieira, trabalhou como segurança de Leite e atuava como assessor militar do então presidente da Câmara.

A Justiça decretou a prisão temporária de 16 investigados, incluindo o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira. As investigações apontam que o PCC controlava ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital por meio de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de dinheiro. O delegado Fabricio Intelizano informou em coletiva que as prisões teriam duração inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação.

Leite exerceu sete mandatos na Câmara entre 1997 e 2024, presidindo a Casa em dois períodos. Ele nega as acusações e qualquer relação com o PCC, afirmando que se reunia com empresários do setor por determinação do então prefeito Bruno Covas para resolver questões de transporte. Sobre o depoimento de Cezário, Leite afirmou não conhecer o sargento e negou ser dono da Transwolff, mencionando que ofereceu seus sigilos bancário, fiscal e telefônico ao Ministério Público há dois anos sem que irregularidades fossem encontradas.