Política POLÍTICA NACIONAL
Apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro gera debate sobre possíveis negociações com o STF
Campanha de Flávio nega acordos, enquanto setores da direita monitoram movimentações judiciais e políticas após o primeiro turno.
15/10/2026 12h08
Por: VV8 REDAÇÃO
Foto: Gazeta do Povo

O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou um vídeo em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições, afirmando que a sociedade busca "mudança" e "renovação", utilizando o termo "reconexão" ao se referir ao candidato do PL. A ação de Temer foi interpretada por segmentos da direita como uma tentativa de aproximar o Supremo Tribunal Federal (STF) de um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

A campanha de Flávio nega a existência de qualquer negociação com membros do STF. No entanto, integrantes da direita afirmam que temem a possibilidade de o futuro governo negociar saídas para ministros que não envolvam o processo de impeachment. Reportagens apuraram que houve contato entre Temer e a campanha de Flávio na semana anterior, no qual o ex-presidente representaria os interesses de ministros do STF sobre a relação entre um eventual governo de Flávio e o Supremo.

O coordenador-geral da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, afirmou ao portal Metrópoles que não há chance de acordo político para evitar o processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Marinho classificou como "fake" a tese de que Temer estaria buscando um acordo com o STF e afirmou que tal narrativa seria uma tentativa do PT de desviar o foco da vantagem obtida por Flávio no primeiro turno e da força da direita no Congresso.

Analistas apontam que negociações fora dos autos judiciais não possuem amparo legal. Setores da direita contrários a qualquer acordo consideram o impeachment de Moraes um ponto não negociável, visto que a bancada do partido no Senado possui número suficiente de votos para abrir processos contra magistrados. O MDB liberou suas lideranças para apoiarem o candidato de sua escolha, com a base principal de articulação manifestando apoio a Flávio.

A repercussão do apoio de Temer é atribuída à sua relação direta com Alexandre de Moraes, a quem ele indicou para o STF em 2017. Moraes tem sido alvo de críticas da direita por decisões durante e após o governo do pai de Flávio. O histórico de Temer como interlocutor inclui conversas anteriores com Moraes sobre questões judiciais e articulações relacionadas à chamada Lei da Dosimetria.

Decisões recentes no STF alimentaram as especulações. Alexandre de Moraes autorizou a execução de pena em regime semiaberto para Débora Rodrigues dos Santos e arquivou investigações contra Marcos do Val, Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos. O ministro Gilmar Mendes encerrou uma investigação contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio. Além disso, houve parecer favorável da PGR, Paulo Gonet, e autorizações para visitas a Jair Bolsonaro por familiares. Em contrapartida, Moraes determinou o início do cumprimento de pena de Eduardo Bolsonaro (PL) por coação no curso do processo.