
O resultado do primeiro turno levou o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a alterar sua postura em relação às redes sociais. Após um período de distanciamento do ambiente digital durante o terceiro mandato, o presidente da República passou a gravar vídeos no formato selfie. A campanha também incluiu o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela coordenação do grupo "Exército do Lula" no WhatsApp. Segundo estudo da empresa Datrix, intitulado "Estratégia digital no 2º turno", a campanha petista tem obtido maior sucesso na mobilização de militantes por meio de grupos de mensagens do que pelo engajamento de influenciadores de esquerda.
De acordo com o levantamento da Datrix, desde o dia 10 de outubro, a campanha de Lula passou a utilizar o WhatsApp sob liderança de Janones, superando movimentos da direita em meios digitais específicos. O diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro, afirma que a mudança no paradigma de comunicação foca na interação direta com o presidente em vez do volume de conteúdo. Ele classifica a estratégia como "invisível" por ocorrer em grupos fechados, mas eficiente por organizar a microinfluência de milhões de pessoas para distribuir conteúdos coordenados.
O movimento gerou reação da direita. O senador Gustavo Gayer (PL-GO) criticou o que chamou de "terrorismo eleitoral" praticado pelo Lula e pelo PT, afirmando que a estratégia está mobilizando a esquerda de forma inédita. A disputa sobre o canal "Exército do Lula" chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu o grupo após o PL alegar distribuição de fake news contra Flávio Bolsonaro (PL). O estudo da Datrix aponta que 73% das publicações no TSE concentraram-se nesse canal, e a tese de que a suspensão seria censura teve peso maior do que a acusação de desinformação.
A participação de artistas como Anitta e Ludmilla na campanha petista não produziu o efeito esperado, segundo João Paulo Castro, que argumenta que declarações únicas de influenciadores não garantem mobilização contínua. Em contrapartida, o uso de vídeos e selfies por Lula nas redes oficiais permitiu ao petista ganhar mais seguidores diários do que Flávio Bolsonaro. No entanto, Castro ressalta que a base de apoio de Flávio permanece com volume e número de influenciadores constantes, e que a estratégia de Lula ainda precisa converter o eleitor para sair da abstenção.
A consultora em marketing político Vanessa Marques aponta que o governo Lula enfrentou dificuldades de comunicação no ambiente digital durante o terceiro mandato. Ela observa que, desde 2018, a direita dominou as plataformas digitais enquanto o PT priorizou métodos tradicionais. Segundo Marques, o resultado do primeiro turno forçou o partido a buscar uma virada nas semanas restantes. A pesquisadora destaca que figuras da política tradicional possuem dificuldades em se adaptar ao ambiente digital com naturalidade, o que levou Lula a buscar apoio de novos nomes, como a deputada federal Ana Elisa (PT), para mediar a comunicação com o público mais jovem.
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