A estratégia do Partido dos Trabalhadores (PT) na reta final da disputa presidencial, baseada em mensagens que buscam desconstruir o adversário, pode aumentar a rejeição ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, segundo analistas ouvidos pela reportagem. O senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto o petista obteve 45,16%. Diante desse cenário, a campanha de Lula passou a utilizar comunicações nas redes sociais que, segundo analistas, distorcem o posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre temas como o fim da escala 6x1 e alegam que o candidato do PL seria favorável ao fim de benefícios sociais, como o Bolsa Família e Farmácia Popular.
O objetivo central do marketing petista é alertar o eleitor sobre cenários caso a direita retorne ao comando do país. No entanto, especialistas afirmam que essa abordagem pode gerar efeito contrário ao planejado pelo PT, aumentando a rejeição ao próprio Lula em vez de desgastar a campanha de Flávio Bolsonaro. O analista político João Cândido, da Amelati Consultoria, explica que mensagens exageradas sem evidências podem perder credibilidade e sofrer repúdio do eleitorado. Segundo Cândido, quando o ataque ocupa todo o espaço da comunicação, há o risco de reforçar a imagem de uma campanha agressiva e deixar sem resposta as dúvidas concretas do eleitor.
A ofensiva digital petista, intensificada após o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula na TV Bandeirantes no domingo (18), utiliza peças de marketing negativo para rotular Flávio como inimigo do trabalhador comum. As postagens exploram debates sobre a jornada de trabalho e casos judiciais antigos sobre segurança pública e milícias. Em outra frente, o deputado André Janones (Rede-MG) ordenou que a militância petista vestisse a camisa verde e amarela da seleção brasileira. O cientista político Antônio Testa interpretou a iniciativa como uma "confissão explícita de fraqueza", ressaltando que os símbolos já foram alvo de críticas anteriores por parte do próprio PT.
De acordo com João Cândido, em disputas acirradas, o eleitor busca soluções pragmáticas para economia e segurança, e a substituição de propostas por vídeos difamatórios pode causar saturação no eleitor indeciso. O analista destaca que o alcance digital não garante apoio eleitoral, pois uma publicação pode gerar visualizações apenas por provocar indignação ou críticas. Segundo Cândido, o bombardeio negativo pode reforçar a imagem de um governo sem realizações e focado em manter o poder.
A tentativa do PT de estruturar ataques contra Flávio Bolsonaro com mensagens de medo enfrenta barreiras quando o conteúdo carece de evidências sólidas. Na segunda-feira (19), a página oficial de Lula no Instagram publicou textos afirmando que, com Flávio, o trabalhador perderia direitos, em referência à PEC sobre a jornada 6x1, medida que o candidato do PL votou a favor. Outras postagens apontaram supostas investidas contra o Sistema Único de Saúde (SUS) e tentaram associar o adversário ao crime organizado. Cândido analisou que tais argumentos precisam estar apoiados em declarações verificáveis para não comprometerem a credibilidade da mensagem. Antônio Testa concluiu que o uso do medo desmedido pode levar a rejeição de Lula ao ápice nas urnas no dia 25.