Política POLÍTICA EXTERNA
Governos de esquerda manifestam preocupação com possível derrota de Lula nas eleições brasileiras
Lideranças e organizações do México, Uruguai e Cuba expressam receio quanto ao impacto da vitória de Flávio Bolsonaro na integração regional
22/10/2026 22h01
Por: VV8 REDAÇÃO
Foto: Gazeta do Povo

Líderes ou organizações ligadas aos governos do México, Uruguai e Cuba manifestaram incômodo com a possibilidade de Flávio Bolsonaro (PL) vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras, marcado para o dia 25. Com a eleição de parlamentares e chefes de estado na América Latina, esses governos temem que a vitória do candidato do PL acentue o isolamento político da esquerda no continente.

No dia 5, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, foi questionada sobre a possibilidade de o país ficar isolado em caso de derrota do petista. Ela afirmou que é preciso aguardar o segundo turno e declarou que o principal aliado do México é o povo mexicano. Ao comentar sobre a onda eleitoral da direita na América Latina, Sheinbaum disse que não poderia opinar sobre outros países, mas afirmou que a direita é um movimento político contra o povo e que a direita internacional busca intervir no México.

Em setembro, Fernando Pereira, presidente da Frente Ampla, coalizão de esquerda do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, participou de um debate com o secretário sindical nacional do PT, Ariovaldo de Camargo, e manifestou preocupação com a possibilidade de derrota de Lula. Segundo informações do jornal El País, Pereira afirmou que o Brasil enfrenta uma "extrema direita" que aniquila direitos e comparou a situação atual à de outros países da região.

Em Cuba, a Casa das Américas divulgou um comunicado este mês afirmando ser urgente uma ação mundial para deter o avanço do neofascismo, citando o enfrentamento eleitoral no Brasil como uma trincheira imediata. Em artigo no site Cibercuba, o líder oposicionista José Daniel Ferrer García afirmou que o regime cubano teria prejuízos tangíveis com a vitória de Flávio, alegando que o Brasil seria um grande aliado em termos de comércio e fóruns internacionais, e que um governo de Bolsonaro não manteria o discurso de cooperação.

Ricardo Caichiolo, doutor em ciências políticas e sociais e diretor do Ibmec Brasília, afirmou em entrevista à Gazeta do Povo que uma derrota de Lula geraria impacto na coesão ideológica regional devido ao peso do Brasil na América Latina. O que aprofundará o isolacionismo desses países

Outros governos da região já apresentam distanciamento de Lula. O regime sandinista da Nicarágua, aliado histórico do PT, entrou em atrito com o governo brasileiro nos últimos anos, resultando na expulsão de embaixadores em 2024 após divergências sobre a participação de um bispo preso e sobre a realização de eleições no país centro-americano. A ditadura da Nicarágua respondeu ao Brasil que se trata de "nossa democracia, nossas eleições".

A Venezuela e a Guiana também apresentam maior proximidade com o governo dos Estados Unidos do que com Lula. A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, tem sido descrita como estando sob tutela do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Já abriu suas reservas de petróleo e gás para a exploração de empresas americanas Caichiolo projetou que a derrota de Lula ampliaria a influência direta dos Estados Unidos na região e reduziria a margem de manobra diplomática de regimes autoritários como o venezuelano e o nicaraguense.