
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o atacante do Tottenham Hotspur, Richarlison, está “tomando volta” do próprio empresário durante debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta sexta-feira (23/10), na TV Globo. O embate ocorreu após Lula questionar o senador sobre a disputa pelos direitos de ocupação de uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, envolvendo o jogador e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.
“E, assim, o Richarlison, com todo respeito, craque, você está tomando volta do seu empresário. Parece que você comprou a sua ilha de um invasor de terra, comprou do MST. Infelizmente, essa ação já transitou em julgado. E você não tem direito. A Justiça decidiu e eu não tenho nada a ver com isso”, declarou Flávio. No contexto da fala, o senador sugere que Richarlison teria sido prejudicado pelo próprio empresário na negociação envolvendo a ilha.
O senador negou ter indicado o coronel do Exército Paulo da Silva Medeiros, que ocupava a direção da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) durante o governo de Jair Bolsonaro. Lula questionou se Flávio teria influenciado a tramitação de um pedido relacionado à área em favor de uma empresa ligada a Tomaz. “O Willer não é apenas amigo, pelo que parece, ele é seu sócio. E, pelo que parece, ele conseguiu, em uma semana, com um coronel do Exército que era diretor da SPU, que você indicou”, afirmou o presidente.
Lula também cobrou explicações sobre a diferença entre os prazos de tramitação dos pedidos relacionados ao imóvel. Segundo o presidente, enquanto Richarlison aguardava havia cerca de um ano, a solicitação ligada ao grupo de Tomaz teria avançado em uma semana. Flávio rebateu a acusação e negou ter indicado o diretor da SPU, afirmando que tal afirmação era "coisa da sua cabeça".
A disputa começou em 2020, quando Richarlison negociou, por meio de uma empresa da qual era sócio, os direitos de ocupação de um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O centroavante afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões e perdido os direitos sobre a área sem receber o dinheiro de volta. Ele alega que Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz teriam atuado para assumir a posse do imóvel. A disputa judicial envolveu empresas ligadas ao jogador e ao advogado. A Justiça do Rio decidiu em favor da empresa de Tomaz, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento em 2025. Posteriormente, a empresa ligada a Richarlison desistiu da reivindicação, e o processo foi extinto.
A disputa veio à tona em outubro, quando Richarlison cobrou publicamente Flávio Bolsonaro pela devolução do imóvel. Em publicação nas redes sociais, ele questionou o discurso do senador em defesa de causas que considera justas e escreveu: “Lutar pelo que é justo, né? Então devolve minha ilha!!!”. Diante da negativa de Flávio, Lula voltou a questionar se o senador havia indicado o coronel e qual teria sido sua influência na liberação do terreno para o advogado.
“Porque a minha ministra está aqui atrás, vai fazer um estudo, porque, se o Richarlison tiver razão, nós vamos tomar o terreno e devolver a quem é o dono”, afirmou o presidente. Flávio voltou a negar envolvimento no caso, declarando: “Bom, Lula, eu vou falar pela terceira vez. Pela terceira vez: eu não tenho absolutamente nada a ver com isso”.
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