
O programa de governo do Partido dos Trabalhadores (PT) para a eleição de 2026 mantém compromissos que aparecem em suas plataformas desde o início da trajetória política de Luiz Inácio Lula da Silva. No combate à fome, o partido prometeu "erradicar" o problema em diversas ocasiões, incluindo as campanhas de 1989, 1994 e 1998. Em 2002, a promessa foi mantida, e em 2006, o PT afirmou que "continuará avançando na erradicação da fome". Em 2014, o governo petista celebrou a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, embora dados do IBGE tenham registrado 52 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza ao fim do governo Dilma. Em 2022, Lula prometeu garantir "novamente" três refeições por dia e, em abril deste ano, o PT publicou texto afirmando que o governo atual acabou com a fome. Dados de 2024 indicam que 18,9 milhões de domicílios ainda enfrentam insegurança alimentar. Para 2026, o partido propõe "continuar" o combate à fome.
Na área da educação, o termo "erradicar" foi utilizado em 1989 para o analfabetismo e em 2006 para a sua "superação". Em 2014, o foco passou a ser a "retomada da centralidade das ações de redução do analfabetismo". O programa atual para 2026 prevê "continuar" fortalecendo políticas de "enfrentamento do analfabetismo". Dados de 2025 indicam que 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever.
No setor de saneamento, o PT mantém a meta de "universalizar" desde 1989. Em 2014, Dilma Rousseff prometeu "perseguir a universalização do saneamento básico". O programa de 2026 prevê que o governo "continuará" a "perseguir o objetivo" de universalizar água tratada e esgoto. Em 2023, a rede coletora atendia 59,7% dos brasileiros. O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020 ao qual o PT se opôs, estabeleceu metas para 2033 que exigiriam um aumento de ritmo superior ao registrado entre 2018 e 2022.
Sobre habitação, o partido prometeu investir "maciçamente" em moradias populares desde 1989. O programa Minha Casa, Minha Vida foi lançado em 2009 e o plano de 2026 prevê mantê-lo e ampliá-lo para enfrentar um déficit habitacional que, segundo o Ministério da Economia, cresceu entre 2011 e 2019.
Na questão agrária, a promessa de "acabar com o latifúndio" data de 1989. Em 1998, foi estabelecida uma meta de 1 milhão de casas para famílias de baixa renda. O programa de 2026 prevê "continuar a avançar" na reforma agrária e no assentamento de famílias acampadas. Dados do Incra mostram que os governos do PT desapropriaram 4,7 milhões de hectares até 2016, enquanto o governo de Fernando Henrique Cardoso desapropriou 10,2 milhões em oito anos.
No Nordeste, as promessas para redução de desequilíbrios regionais e investimentos na região iniciaram-se em 1989. A transposição do Rio São Francisco foi iniciada em 2007 e concluída em 2022. O programa de 2026 mantém a busca pelo "equilíbrio territorial". Dados do Ipea indicam que o PIB por habitante do Nordeste estava 58% abaixo da média nacional em 1995 e, em 2023, a diferença era de 53%.
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