
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve a liderança de esquerda em quatro países sul-americanos: Guiana, com Irfaan Ali; Suriname, com Jennifer Simons; Uruguai, com Yamandú Orsi; e Venezuela, comandada interinamente por Delcy Rodríguez. Os demais países do subcontinente — Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru — são governados por líderes de direita, representando cerca de 58,3% da população regional.
Durante a campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproximou-se de lideranças de direita na região, como o argentino Javier Milei e o equatoriano Daniel Noboa. O candidato do PL também buscou proximidade com os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, que tem promovido líderes de direita globalmente e fez acenos a Flávio Bolsonaro no Brasil.
Fontes diplomáticas consultadas pela reportagem indicam que as relações do Brasil com os países da região não devem sofrer mudanças imediatas, com a expectativa de que o pragmatismo econômico prevaleça sobre diferenças ideológicas. Após o resultado das eleições em 25/10, o presidente Lula recebeu ligações de parabéns do paraguaio Santiago Peña e do chileno José António Kast. Membros da diplomacia brasileira citaram os contatos como exemplo da relação amistosa do mandatário com os líderes regionais.
A equipe de política externa de Lula projeta que as relações com os países da região podem ter focos bilaterais nos próximos anos, diante do desmonte de organismos multilaterais. O governo também deve lidar com a influência de Donald Trump na região, especialmente no combate ao narcotráfico e na Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), iniciativa liderada pelos Estados Unidos que conta com 19 integrantes, incluindo Equador, Argentina, Bolívia, Chile, El Salvador, Peru e Honduras.
O Brasil não participa do Escudo das Américas e mantém posição cautelosa quanto à ampliação da presença militar dos Estados Unidos na América do Sul. Membros do governo petista afirmaram não ter interesse em aderir à iniciativa, preferindo estimular acordos bilaterais contra o crime transnacional. A relação com a Casa Branca é considerada pelo governo como um tema sensível para o mandato de Lula, devido à avaliação de que a política do Departamento de Estado de Marco Rubio é hostil ao petista.
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