
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT) nesta terça-feira, 27, em Brasília, para sua reeleição. Com a adesão do PT e do PCdoB, Motta conta com 354 deputados a seu favor, número superior à maioria de 257 votos necessária para vencer a disputa entre os 513 integrantes da Casa. A decisão do PT ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, apesar de divergências internas sobre o momento e as condições para declarar o apoio ao parlamentar.
Dentro do PT, havia divisões quanto ao anúncio: uma ala defendia a definição imediata nesta semana, enquanto outra preferia aguardar até dezembro ou janeiro para negociar os termos do acordo. Os defensores do apoio imediato argumentaram que a aliança poderia formar um bloco capaz de reduzir o espaço do PL nas disputas pelo comando da Câmara. O partido PL terá a maior bancada da Casa a partir do próximo ano e avalia lançar candidatos às presidências da Câmara e do Senado, além de buscar posições em comissões parlamentares.
O PCdoB, que elegeu 11 deputados, também declarou apoio a Motta. O PSB e o PDT já haviam anunciado adesão na semana anterior. A candidatura conta ainda com o respaldo de dez partidos do Centrão — incluindo Republicanos, PSD, MDB, Podemos, União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade —, que somam 252 deputados. O PT elegeu 70 deputados em 4 de outubro, formando a segunda maior bancada da Câmara.
Na segunda-feira, 26, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reuniram-se com Lula no Palácio da Alvorada sem a presença de ministros. Após o encontro, os três divulgaram uma foto nas redes sociais. Motta afirmou que a reunião serviu para cumprimentar Lula pela vitória e reafirmar o compromisso com a harmonia entre os Poderes e a atuação conjunta do Congresso. A articulação entre o Executivo e os presidentes das casas legislativas é considerada relevante para a tramitação de propostas do governo, diante da previsão de uma maioria de direita no Legislativo a partir do próximo ano, o que exigirá negociações com diferentes bancadas.
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