
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na tarde desta terça-feira (27), que considera “vergonhoso” o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos após perder as eleições. O petista comparou a forma como ele próprio agiu quando era alvo da Operação Lava Jato à situação do adversário, afirmando que recebeu convites para sair do país, mas optou por se entregar à Polícia Federal para "desmascarar" seus acusadores. Lula declarou que quem sai do país de forma escondida deve algo e criticou a conduta do senador, afirmando que ele não teria compromisso com a verdade.
Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo que Flávio viajou para os Estados Unidos. O presidente afirmou ainda que tentou ajudar o senador no desafio da quebra de sigilos para que este pudesse "provar que é honesto", mas alegou que o senador não entregou os documentos. Lula também fez declarações sobre a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que eles considerariam o Brasil como uma segunda pátria e criticando a postura da família em relação aos Estados Unidos.
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro. Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais. No mês seguinte, as cautelares foram convertidas em prisão domiciliar, sob alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, o ministro decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram utilizadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, na época pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua candidatura à Presidência. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
O ministro Alexandre de Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor de Jair Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão de quatro anos e dois meses, a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos Estados Unidos. Em outro processo relatado por Moraes, Eduardo foi condenado, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas quando ele ainda era deputado, em 2021.
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