Política POLÍTICA EXTERNA
Rogério Marinho afirma que espera ausência de interferência externa em assuntos internos do Brasil
Líder da oposição comenta carta de Flávio Bolsonaro à comunidade internacional após resultado das eleições presidenciais
28/10/2026 19h59
Por: VV8 REDAÇÃO
Luis Nova/ Especial Metrópoles @LuisGustavoNova

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta quarta-feira (28/10) que espera que os Estados Unidos não interfiram nos assuntos internos do Brasil. A declaração ocorreu em resposta a uma carta enviada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à comunidade internacional após a derrota nas eleições presidenciais. Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, declarou que o presidente dos Estados Unidos tem direito de opinar sobre política externa e eleições, mas manifestou expectativa de que não ocorra intervenção no processo interno brasileiro.

Na carta divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro solicitou que a comunidade internacional não normalize o que ele descreveu como perseguição política no Brasil contra si. No documento, o senador agradeceu ao governo norte-americano pelo acolhimento e afirmou pretender comandar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos. O senador chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira após passar pela Argentina, e uma autoridade da Casa Branca informou que o governo americano concederá vistos a ele e sua família.

O documento foi compartilhado inicialmente por aliados do senador, incluindo o influenciador Paulo Figueiredo. Na primeira versão, Flávio se apresentou como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e utilizou um brasão antigo da República com a inscrição "Estados Unidos do Brazil". Após repercussão, uma nova versão com o brasão oficial foi distribuída por aliados. Em publicação posterior na rede social X, sem o brasão, mas mantendo a afirmação de ser o presidente eleito, o senador apagou o conteúdo e publicou nova versão onde se apresentou como "líder do Brasil".

Na carta, Flávio Bolsonaro acusa a Justiça Eleitoral de fraude no segundo turno das eleições presidenciais, atribuindo a irregularidade à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação até as 19h em seções que ainda funcionavam às 17h.

Flávio foi derrotado por Lula no segundo turno de domingo (25/10) por uma diferença de 4.430.191 votos. O petista obteve 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), enquanto o senador recebeu 59.826.041 votos (48,21%). O resultado foi reconhecido pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que parabenizou os candidatos.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também reconheceu o resultado da Justiça Eleitoral, embora tenha solicitado esclarecimentos sobre o uso da máquina pública durante a campanha. O TSE informou que 34.393 votos foram registrados após as 17h no segundo turno em todo o país, número inferior a 1% da diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos. A prorrogação da votação foi autorizada por Zanin após ambas as candidaturas relatarem dificuldades no transporte de eleitores no dia da eleição.