A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi iniciado em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, com a participação do Ministério Público Federal. A investigação ocorre em meio a ações judiciais de investidores da OnilX que relatam dificuldades para recuperar investimentos em criptoativos.
Guedes ocupou o cargo de ministro da Economia entre 2019 e 2022. Segundo informações, ele prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas, manteve contato com investidores e teve sua imagem utilizada pela empresa em materiais de divulgação. Registros da própria OnilX mostram o ex-ministro ao lado de Fábio Lino e executivos da Visa em uma reunião estratégica, além de sua participação em eventos para investidores e assessores da companhia.
A relação entre as partes apareceu em processos judiciais. Em uma ação, um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou ter decidido ampliar investimentos após participar de uma reunião com Guedes em abril, mas não conseguiu resgatar os recursos meses depois. Em outro processo, mensagens anexadas aos autos mostram uma assessora da OnilX oferecendo a possibilidade de uma reunião com o ex-ministro para discutir estratégias de investimento ao tentar atrair um investidor.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou, em janeiro, a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a decisão e esclareceu que ela não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento. Um levantamento identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre junho e setembro, nas quais investidores alegam dificuldades para sacar recursos em criptomoedas e stablecoins, além de alguns levantarem suspeitas de pirâmide financeira.
A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. A defesa de Paulo Guedes não respondeu aos questionamentos. A inclusão dos nomes no inquérito não representa condenação e os detalhes da investigação permanecem sob sigilo.