O ex-presidente Jair Bolsonaro, em conjunto com a direção nacional do Partido Liberal (PL), definiu uma estratégia de oposição à articulação política no Senado Federal. A orientação é que o partido lance um candidato próprio para a presidência da Casa em fevereiro de 2027, independentemente das chances de vitória, visando fortalecer a identidade da oposição e ampliar o protagonismo da direita no Congresso Nacional.
A decisão foi discutida com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para evitar que a legenda apoie automaticamente a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do governo Bolsonaro, é apontado como o principal nome cotado para representar a legenda na disputa e reunir parlamentares conservadores.
A estratégia busca demonstrar que o partido pretende defender uma agenda própria, sem aderir aos acordos estabelecidos em torno da atual presidência do Senado. A posição do PL pode dificultar as articulações de Alcolumbre e exigir que outros grupos negociem com diferentes setores da oposição. Um ponto de divergência mencionado é a possibilidade de o PL apoiar Alcolumbre em troca do avanço de pautas da direita; a direção partidária, segundo informações divulgadas, não pretende oferecer apoio oficial sem mudança na estratégia política.
Além da disputa pela presidência, a bancada do PL pretende incluir a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro entre suas prioridades para a próxima legislatura, proposta defendida por aliados de Bolsonaro. O partido também planeja utilizar sua composição no Senado a partir de 2027, com previsão de contar com 28 senadores, para ampliar a influência nas decisões legislativas.
A eleição para a presidência do Senado é considerada importante para definir o controle da agenda legislativa e a relação da Casa com o governo federal. A escolha do candidato do PL poderá influenciar as negociações entre partidos de direita, centro e governistas nos próximos meses. A disputa de fevereiro de 2027 deve testar a capacidade de articulação de Rogério Marinho e a força política do partido diante dos grupos favoráveis à continuidade de Alcolumbre no comando da Casa.