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Desafios econômicos do governo Lula para o quarto mandato

Presidente reeleito terá que conciliar metas fiscais, controle da inflação e investimentos em infraestrutura.

29/10/2026 às 18h24
Por: VV8 REDAÇÃO
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Foto: Gazeta do Povo
Foto: Gazeta do Povo

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desafios relacionados à gestão das contas públicas, juros elevados e sinais de desaceleração econômica no início do novo mandato. O principal obstáculo reside nas despesas obrigatórias, que comprometem 91,3% das despesas primárias do Orçamento de 2027, e na dívida bruta, que atingiu 82,9% do PIB em agosto de 2026. Segundo o Banco Central (BC), os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 1,18 trilhão no acumulado de 12 meses até agosto. O governo anunciou medidas como reajuste do Bolsa Família e ampliação do Pé-de-Meia, enquanto o mercado projeta um déficit primário de R$ 54 bilhões em 2027; o BC aponta que a dívida bruta pode alcançar 100% do PIB em 2033 caso a trajetória atual se mantenha.

A política monetária também apresenta desafios, com a taxa Selic em 13,75% ao ano e projeções de inflação (IPCA) para 2027 em 4,34%, acima da meta de 3%. A manutenção do patamar de juros depende do equilíbrio das contas públicas e da confiança do mercado. Paralelamente, a economia apresenta sinais de perda de velocidade, com estimativas de crescimento do PIB para 2027 entre 0,9% e 1,32%, exigindo medidas para aumentar a produtividade e melhorar a infraestrutura.

A gestão deve lidar com o impacto da inflação sobre a renda das famílias, especialmente em itens como alimentação e bebidas, que apresentaram alta de 0,88% no IPCA-15 em setembro. Além disso, o governo precisará administrar o endividamento de famílias e empresas, com 81,7% das famílias brasileiras endividadas em setembro de 2026. A implementação da reforma tributária do consumo a partir de 2027 também é um ponto decisivo, envolvendo a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e a regulamentação do Imposto Seletivo (IS).

No setor de investimentos, o Brasil registra taxas de formação bruta de capital fixo em patamares inferiores aos registrados entre 2010 e 2013. O governo deverá buscar parcerias público-privadas para ampliar a infraestrutura sem comprometer o ajuste fiscal. No cenário externo, o país possui uma alta concentração de exportações com a China (29,7% em 2026), enquanto a participação dos Estados Unidos recuou para 9,6%. Por fim, o governo buscará formas de manter programas sociais, como o Bolsa Família, integrando-os a políticas de produtividade e qualificação profissional.

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