Justiça JUDICIÁRIO
Senador Flávio Bolsonaro prepara defesa contra processos no Brasil e deve alegar perseguição
Parlamentar está nos Estados Unidos após decisão do STF determinar a entrega de seus passaportes e é alvo de três investigações na Justiça brasileira
30/10/2026 05h10
Por: VV8 REDAÇÃO
Joe Raedle/Getty Images

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais, encontra-se nos Estados Unidos e deve concentrar os próximos meses na construção de sua defesa diante de três processos no Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar constituiu um time de advogados para atuar contra decisões judiciais. Flávio deixou o Brasil na noite da última terça-feira após uma ordem do ministro Alexandre de Moraes que determinava a entrega de seus passaportes às autoridades, no âmbito de um processo sobre lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas de apostas.

O senador deve solicitar asilo político ao governo de Donald Trump, alegando perseguição, ameaças e violações de direitos no Brasil. A defesa também trabalha para retirar o processo de lavagem de dinheiro da relatoria de Moraes e encaminhá-lo ao ministro André Mendonça. As três investigações que envolvem Flávio Bolsonaro tratam de suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e indícios de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O inquérito sobre os pagamentos de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse está sob relatoria de André Mendonça. O outro processo investiga uma publicação feita pelo senador em 3 de janeiro deste ano, nas redes sociais, na qual ele atribuiu ao presidente Lula crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A terceira investigação trata de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas junto a Willer Tomaz.

Nos Estados Unidos, o senador encontrou-se com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão em regime inicial semiaberto por coação no curso do processo. Alexandre Ramagem foi condenado pela Suprema Corte a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime fechado, além da perda de mandato e cargo na Polícia Federal, por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado. Ramagem havia sido detido em Orlando em 13 de abril de 2026 por situação migratória irregular e liberado em seguida.

Após sair do Brasil sem cumprir a ordem de entrega dos passaportes à Polícia Federal, Flávio Bolsonaro publicou uma carta nos Estados Unidos. No texto original, ele se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", mas republicou o conteúdo sem essa frase logo depois, definindo-se como "líder do Brasil". O dirigente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou a divulgação do documento. Um grupo de advogados solicitou à Polícia Federal investigação sobre o uso do brasão da República na carta.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Luiz Inácio Lula da Silva reeleito com 64,2 milhões de votos no 2º turno, superando Flávio em quase 4,5 milhões de votos. A eleição foi reconhecida pelo Judiciário brasileiro, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL.