Justiça JUDICIÁRIO
Governador eleito do Rio de Janeiro se reúne com ministro do STF sobre ação judicial
Douglas Ruas e Cristiano Zanin tratam da ADPF 1362, que questiona o resultado da eleição estadual no Rio de Janeiro.
04/11/2026 11h40
Por: VV8 REDAÇÃO
Foto: Gazeta do Povo

O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), reuniu-se com o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar da ação que solicita a realização de um segundo turno na eleição estadual. A agenda oficial do ministro identificou o assunto como ADPF 1362, processo apresentado pelo PSD para contestar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que confirmou a vitória de Ruas no primeiro turno.

Zanin é o relator da ação que questiona a anulação dos 274.411 votos recebidos pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). O PSD sustenta que a exclusão desses votos do cálculo da maioria absoluta alterou o resultado da eleição e impediu a realização de uma segunda votação entre Ruas e Eduardo Paes. A reunião ocorreu na terça-feira (3), em momento de retomada da mobilização de Paes pelo segundo turno.

No mesmo dia, Paes defendeu uma nova votação e afirmou que pretende intensificar a pressão para que a Justiça reconheça o direito dos eleitores fluminenses de voltar às urnas. Em vídeo nas redes sociais, Paes explicou que não comentou a disputa judicial durante a eleição presidencial para não interferir no pleito nacional. Ele afirmou que mais de 270 mil eleitores escolheram Garotinho e que esses votos deveriam entrar no cálculo da maioria absoluta. "Mais de 270 mil pessoas foram votar e escolheram o candidato Garotinho como seu governador. Esses votos existiram. Por causa deles, ninguém alcançou a maioria absoluta, ou seja, ninguém teve mais do que 50% dos votos", declarou. Paes acrescentou: "A decisão do eleitor do Rio no primeiro turno não foi por eleger qualquer candidato, foi por ter segundo turno. E a Constituição é muito clara: sem maioria absoluta, tem segundo turno".

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos (49,27% dos votos válidos). Eduardo Paes obteve 3.706.984 votos (42,76%), enquanto Garotinho ficou com 274.411 votos (3,17%). Com a anulação dos votos de Garotinho, o universo de votos válidos caiu de 8.669.038 para 8.394.627. A mudança elevou o percentual de Ruas para 50,88%, suficiente para garantir a eleição no primeiro turno. Paes passou a representar 44,16% dos votos válidos.

Em 8 de outubro, o TSE confirmou, por cinco votos a dois, o indeferimento do registro de Garotinho, sob o entendimento de que o ex-governador não poderia concorrer por ter se filiado ao Republicanos com os direitos políticos suspensos. O PSD levou a questão ao STF via ADPF 1362, argumentando que a exclusão posterior dos votos de Garotinho modificou a regra de definição do resultado eleitoral e comprometeu a soberania popular e a segurança jurídica. A legenda pede que o STF suspenda os efeitos da retotalização e determine um segundo turno entre Ruas e Paes.

Durante a tramitação da ação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, informou ao Supremo que não havia condições técnicas para realizar uma nova votação no Rio em 25 de outubro, data do segundo turno presidencial. Segundo o tribunal, a preparação das urnas e os procedimentos necessários para organizar uma nova eleição inviabilizariam o pleito naquela data.