
A denúncia levantada pela revista Veja sugere que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria entregue R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar o documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Especialistas apontam que, se confirmado, esse episódio sinalizaria graves irregularidades, especialmente por tratar-se de um repasse feito "por fora", sem registro formal e associado à busca por vantagens em estruturas do governo federal. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram que tais alegações constem nos autos investigativos, suspeitando que o material tenha sido gravado após a rejeição de uma segunda proposta de delação de Vorcaro.
Juristas destacam que, se comprovada, a natureza do suposto financiamento ao filme de Lula seria mais severa do que as acusações envolvendo Flávio Bolsonaro no documentário *Dark Horse*. Enquanto nos casos do ex-presidente os recursos foram apresentados como patrocínio, na produção de Lula o alegado pagamento teria sido em dinheiro vivo, seguindo uma rota ilegal e com contrapartida de concessão de benefícios indevidos. Márcio Nunes afirma que essa distinção é crucial: "Se de fato houve esse aporte, é mais grave que o do filme Dark Horse, porque ali foram recursos como patrocínio, enquanto na produção de Lula teriam sido, supostamente, recursos em dinheiro, ou seja, por fora". Clarisse Andrade complementa que tal configuração mostraria o episódio mais sério.
A denúncia não se restringe ao documentário presidencial. Vorcaro teria relatado negociações com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, sobre repasses de fundos de pensão federais (Previ, Caixa Asset e Petros), articulação que envolveria Augusto Lima, sócio e CEO do Master. O próprio Vorcaro diferenciou o aporte ao filme de Lula, dizendo que colocou "até mais" no documentário presidencial, mas ressaltou que "o do Lula foi por fora, foi errado", enquanto o outro foi "patrocínio normal".
Apesar das cautelas da PF e PGR — que classificaram a narrativa como inconsistente —, os especialistas alertam que o eixo central da apuração deve ser a reconstrução dessas relações com pessoas próximas ao presidente. Alessandro Chiarottino enfatiza que, diante da gravidade, é imprescindível identificar quem negociou as condições, quem recebeu os valores e se houve expectativa de acesso privilegiado às autoridades. A campanha petista classificou o relato como um esforço para "tumultuar o processo eleitoral", mas a pressão por investigação segue forte, com aliados pedindo que a PF analise a articulação entre Vorcaro e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Mín. 20° Máx. 32°