
O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, morador de Imperatriz, no Maranhão, vendeu seus bens e utilizou seu salário para viajar mais de 2 mil quilômetros até Belo Horizonte, em Minas Gerais. O objetivo era encontrar uma mulher por quem ele havia se apaixonado pela internet, mas que, após a viagem, foi identificado como uma personagem criada por inteligência artificial (IA).
O caso ganhou repercussão nacional em outubro de 2026, após Edimar relatar os detalhes da viagem e o fato de ter acreditado nas promessas de uma personagem virtual chamada Jéssica. A mulher aparecia em vídeos nas redes sociais apresentando-se como uma fazendeira que buscava um companheiro para viver ao seu lado. O perfil da personagem possuía mais de 300 mil seguidores e exibia vídeos produzidos com inteligência artificial, nos quais a mulher loira prometia moradia, alimentação, sustento e passagens para quem aceitasse morar com ela no interior de Minas Gerais.
Edimar relatou que, devido ao sentimento de solidão após o falecimento da mãe, acreditou na possibilidade de encontrar felicidade com a personagem e decidiu vender seus pertences para custear a viagem até a capital mineira. Ao chegar em Belo Horizonte, ele buscou informações sobre Jéssica mostrando imagens da personagem a moradores e solicitando ajuda. Durante as buscas, ao procurar uma rádio local, foi informado de que a mulher nos vídeos não era uma pessoa real, mas sim um produto de inteligência artificial.
Sem recursos para retornar ao Maranhão, o pedreiro foi atendido pela Unidade de Acolhimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte, onde recebeu alimentação e uma passagem de ônibus para retornar à sua cidade. Em entrevista à TV Mirante, Edimar afirmou não se arrepender da viagem e declarou: “Eu não encontrei ela, mas eu vou encontrar outra e vai ser no mesmo lugar onde eu fui e eu vou de novo”.
O episódio gerou discussões sobre os riscos do uso de inteligência artificial na criação de personagens fictícios em redes sociais. A situação é citada como um exemplo dos riscos da desinformação digital e da importância de verificar a autenticidade de perfis antes de decisões que possam comprometer patrimônio, segurança e vida pessoal.
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