
Mais de 250 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas casas no Iêmen desde o início dos conflitos entre os Houthis, Arábia Saudita e forças iemenitas. O balanço foi divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nesta terça-feira (20/10). A província de Taiz é a região mais afetada pelos deslocamentos forçados, concentrando 76% dos casos reportados entre 1º de agosto e 17 de outubro. O local é considerado estratégico para o acesso do país ao Mar Vermelho e ao Golfo de Aden, e enfrenta um cerco dos Houthis.
Países vizinhos, como Djibouti e Somália, têm recebido iemenitas que buscam segurança e refúgio. Após um período de relativa paz, a população voltou a conviver com conflitos em julho deste ano, após trocas de acusações entre os Hou113 Houthis e a Arábia Saudita resultarem na retomada das hostilidades.
Os Houthis são um movimento político-religioso formado majoritariamente por seguidores do zaidismo, vertente do islamismo xiita. O grupo controla partes do Iêmen desde 2014, após iniciar uma ofensiva contra o governo do país, dando início a uma guerra civil que dura 14 anos. Em 2015, a Arábia Saudita formou uma coalizão militar para apoiar o governo iemenita reconhecido internacionalmente, resultando em bombardeios contra posições dos Houthis.
As forças da aliança saudita e os Houthis travaram combates até 2022, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) mediou um cessar-fogo. Os Houthis recebem apoio do Irã e defendem a causa da Palestina; o grupo iniciou ataques contra navios ligados a Israel no Mar Vermelho após o início da guerra na Faixa de Gaza, além de lançar drones e mísseis em direção ao território israelense. Entre 2024 e 2025, Estados Unidos e Reino Unido atacaram posições dos Houthis no Iêmen em resposta às ações do grupo na região.
No segundo semestre de 2026, a trégua entre os Houthis e a Arábia Saudita foi rompida e as hostilidades foram retomadas. Nesse período, o grupo expandiu seu controle no norte do Iêmen e passou a dominar quase todo o acesso do país ao Mar Vermelho. Na ocasião, o grupo iemenita acusou forças sauditas de bombardearem o Aeroporto Internacional de Sanaa e lançou uma ofensiva contra território saudita, incluindo instalações energéticas, além de anunciar um bloqueio contra navios ligados ao país no Estreito de Bab el-Mandeb.
Apesar dos esforços da coalizão liderada pela Arábia Saudita, os Houthis expandiram seu controle e avançaram sobre a costa do Mar Vermelho. A crise na região também envolve outros países, como Paquistão e Turquia, que assinaram um pacto militar com a Arábia Saudita e demonstraram disposição para enviar tropas ao território saudita.
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