
O governo Lula criticou o presidente da Argentina, Javier Milei, nesta terça-feira, 20, por meio de nota oficial do Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações do argentino como uma "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa" no Brasil. A nota foi publicada após Milei publicar uma mensagem em rede social na qual chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "esquerdista ladrão" e afirmou esperar que a "campanha suja" do petista não envolva "roubar a eleição". O texto original de Milei não mencionava especificamente o sistema de urnas eletrônicas.
Apesar da ausência do termo "urnas", o Itamaraty afirmou que o argentino repetiu "mentiras" difundidas por "golpistas derrotados", em referência aos atos de 8 de janeiro de 2023. Segundo a nota, as falas representam uma tentativa de desestabilizar a democracia do país e indicam um discurso alinhado a grupos que não aceitaram o resultado das urnas em 2022. O documento oficial classificou a manifestação como "antidemocrática, desequilibrada" e incompatível com a postura de um chefe de Estado de um país amigo.
O Itamaraty reiterou a soberania nacional e afirmou que a decisão sobre o futuro do país cabe exclusivamente ao povo brasileiro, informando que os eleitores se manifestarão nas urnas no próximo domingo, 25. O governo não detalhou medidas diplomáticas adicionais em relação à Argentina após as declarações de Milei, que ocorrem na reta final do segundo turno das eleições brasileiras.
Javier Milei compareceu à convenção do PL em julho, onde foi oficializado Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. No evento, o argentino criticou o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando o petista de "presidiário" e o magistrado de "lixo careca". Em resposta a tais falas anteriores, o Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e exigiu explicações do embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi.
Em agosto, o MRE rebaixou o nível das relações diplomáticas com a Argentina e decidiu manter Bitelli no Brasil. Raimondi retornou ao país vizinho na sequência, e a representação argentina em Brasília funciona atualmente sob a chefia de um representante de negócios.
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