
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, reúne-se nesta quarta-feira (21/10) com representantes de organizações sindicais para discutir a segurança das manifestações e as reivindicações que impulsionam os protestos no país. O encontro ocorre após uma nova noite de toque de recolher em áreas de cidades francesas, em meio à tentativa do governo de evitar novos episódios de violência. A reunião foi convocada após confrontos, saques e danos a estabelecimentos comerciais e prédios públicos registrados no último fim de semana. As manifestações estão relacionadas, entre outros fatores, ao aumento do custo de vida e à insatisfação com as condições dos serviços públicos.
Representantes de cinco organizações sindicais foram chamados para conversar com o chefe de governo. Os estudantes do ensino médio, que também participam da mobilização, não foram convidados, o que gerou críticas de representantes sindicais. As entidades pretendem pressionar o governo a apresentar medidas concretas para atender às reivindicações dos manifestantes. Para as lideranças sindicais, a resposta à mobilização social não deve se limitar ao reforço policial e às restrições impostas pelas autoridades. A reunião também deve abordar formas de garantir o direito de manifestação e impedir que atos de violência comprometam os protestos. Lecornu afirmou que pretende assegurar a liberdade de manifestação, mas condenou ações consideradas inaceitáveis durante os atos.
Novas mobilizações estão previstas para sábado (24/10), com participação do movimento dos Coletes Amarelos e de estudantes do ensino médio. As organizações sindicais também convocaram uma nova jornada de greves e manifestações para 5 de novembro. As autoridades francesas mantiveram restrições noturnas em áreas de diferentes cidades pela segunda noite consecutiva. Em Paris, a medida atingiu regiões como a praça da República e o entorno do centro comercial Les Halles, locais que registraram episódios de desordem. Em Marselha, o toque de recolher foi aplicado no centro da cidade, enquanto outras localidades adotaram medidas específicas para restringir a circulação durante a noite. Em algumas cidades, as regras também atingem menores de idade.
O governo anunciou que pretende mobilizar um contingente expressivo de forças de segurança para acompanhar os próximos protestos. Lecornu reconheceu, diante de parlamentares, que a resposta das autoridades aos episódios recentes apresentou falhas e prometeu reforçar a atuação policial. Os confrontos do último fim de semana estão entre os episódios mais graves de violência urbana registrados na França nos últimos anos. Além dos saques a lojas, houve danos a edifícios públicos e estabelecimentos comerciais em diferentes regiões do país. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional com base em dados das autoridades francesas, cerca de 2,4 mil pessoas foram detidas durante os episódios, e quase mil agentes de segurança ficaram feridos. Os prejuízos atingiram milhares de estabelecimentos.
A crise também ampliou a pressão política sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, chegou a oferecer sua renúncia, mas Macron recusou o pedido e cobrou medidas para restabelecer a ordem e esclarecer as falhas na prevenção da violência. Com novas manifestações previstas, o governo tenta conciliar o controle da situação nas ruas com a necessidade de responder às demandas sociais que alimentam os protestos.
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