
Aliados do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticaram a demora do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, em se manifestar sobre a prorrogação do horário de votação do segundo turno até as 19h. O presidente da Corte eleitoral concordou com a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), cerca de uma hora após o magistrado determinar a medida.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou, em publicação nas redes sociais, que a atuação de Nunes Marques à frente do TSE foi “caótica ao longo de todo o processo eleitoral”. Guimarães declarou que chegaram ao impasse em razão de decisões questionáveis e omissões que comprometeram a condução do processo democrático e colocaram em risco o livre exercício do voto. O ministro afirmou ainda que nenhuma autoridade pode se omitir diante de situações que ameacem o direito fundamental de votar livremente, defendendo a necessidade de apurar responsabilidades e corrigir erros para garantir que a vontade do povo seja respeitada.
O senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que Nunes Marques é “responsável pelo transtorno causado às eleições” por ter ignorado a situação anômala e abdicado do seu dever de decidir, afirmando que a omissão do presidente do TSE precisa ser apurada. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSol-SP) declarou que o bolsonarismo, “respaldado por Kassio Nunes”, “tentou golpear as eleições e a democracia no Brasil”. A parlamentar afirmou ainda que se trata de uma articulação que envolve big techs e grandes empresários para manipular algoritmos e boicotar a oferta de passagens em rodoviárias e aeroportos.
A decisão de Kassio Nunes Marques ocorreu após o ministro Cristiano Zanin determinar a prorrogação do horário de votação em resposta a reclamações de eleitores que não conseguiram votar devido à falta de ônibus e à redução da frota em cerca de 10 estados, incluindo Bahia, Piauí e São Paulo. Zanin atendeu a uma ação protocolada pela campanha de Lula, que apontou interferência na oferta de transporte público. O PT solicitou a extensão do horário em duas horas em todo o território nacional para garantir a “igualdade entre eleitores”. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia solicitado a ampliação até as 19h, mas apenas em localidades afetadas por questões climáticas, como áreas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Nunes Marques orientou que as seções eleitorais que ainda estivessem abertas permanecessem em funcionamento até as 19h (horário de Brasília), em cumprimento à determinação judicial. Na oposição, aliados de Flávio Bolsonaro classificaram a decisão de Cristiano Zanin como uma “intervenção” e um “golpe”. O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), disse considerar “impressionante o nível de intervenção” de alguns magistrados. Marinho afirmou que esperava que qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prosperasse pelo bem da democracia. O senador também classificou a decisão de Zanin como “vergonhosa e intempestiva”, atribuindo-a ao ministro do STF que era advogado do atual presidente, e afirmou que a ação seria inexequível para tumultuar o processo de uma eleição já perdida por eles no voto.
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