
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou a maior votação registrada em um segundo turno de eleições presidenciais no Brasil neste domingo (25/10). Com mais de 99% das urnas apuradas, o petista somava cerca de 64 milhões de votos e confirmou a reeleição ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado supera a marca anterior do próprio Lula, que recebeu aproximadamente 60 milhões de votos no segundo turno de 2022.
A nova marca foi registrada em um cenário de crescimento do eleitorado brasileiro. Entre as eleições de 2022 e 2026, o número de eleitores passou de 156 milhões para 158 milhões, conforme dados do levantamento. A vitória também consolidou uma virada eleitoral, visto que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois era de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Desde a adoção do sistema de dois turnos em 1988, nenhum candidato à Presidência havia revertido uma desvantagem após o primeiro turno.
Após o resultado da primeira etapa, a campanha de Lula reorganizou estratégias de comunicação e política para tentar reverter a desvantagem. As mudanças incluíram ampliar a presença nas redes sociais com vídeos em formato selfie e conteúdos voltados ao diálogo direto com os eleitores. Aliados defenderam a intensificação da comunicação digital, enquanto o deputado federal André Janones (Rede-MG) mobilizou apoiadores pelo canal “Exército do Lula” no WhatsApp. O petista também participou de debates televisivos durante o segundo turno.
Outro eixo da campanha foi associar as propostas econômicas do senador a possíveis cortes em programas sociais. O petista criticou a promessa de Flávio de fazer um “tesouraço” nas despesas do governo e argumentou que medidas desse tipo poderiam afetar iniciativas como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia. Além das ações digitais e dos debates, a campanha petista apostou na mobilização presencial de apoiadores em diversas cidades brasileiras durante o segundo turno.
Com a reeleição, Lula comandará o Executivo federal pela quarta vez. O presidente governou o Brasil entre 2003 e 2010, em dois mandatos consecutivos, e retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023, após vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O novo mandato está previsto para começar em 5 de janeiro de 2027 e terminar no início de 2031, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente.
Aos 80 anos, Lula se prepara para assumir o mandato como o presidente mais velho a iniciar um período de governo no Brasil, completando 81 anos em 27 de outubro. Durante a campanha, o petista respondeu a preocupações sobre a idade com declarações sobre sua disposição física e rotina de exercícios, afirmando nas redes sociais estar preparado para continuar à frente do governo. A vitória amplia a trajetória eleitoral de Lula, que disputou a Presidência em diferentes ocasiões desde 1989 e teve as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.
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