
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para investigar suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão abrange também possíveis interferências de empresas de tecnologia no processo eleitoral brasileiro de 2026. A investigação, que tramitará sob supervisão do STF, busca identificar a origem e destinação de recursos, além de apurar contatos entre a Rockbridge Network e empresários relacionados à candidatura de Flávio.
A determinação foi proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.178, apresentada pelo Instituto Brasileiro de Mineração. Dino ordenou que a investigação ocorra em procedimento separado devido à possível participação de integrantes do Congresso Nacional. A PF deverá identificar a circulação de eventuais recursos estrangeiros e verificar se houve financiamento direto ou indiretário por pessoas ou organizações fora do Brasil.
Entre os alvos da apuração estão as tratativas atribuídas à organização norte-americana Rockbridge Network com os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, que teriam participado de conversas sobre obtenção de apoio financeiro para a candidatura de Flávio. O ministro determinou que os investigadores esclareçam a natureza dos contatos e verifiquem se houve fornecimento de dinheiro, serviços ou outras vantagens econômicas à campanha.
Outra frente da investigação envolve a divulgação de conteúdos eleitorais por perfis estrangeiros, especialmente em publicações relacionadas à plataforma de previsões Polymarket, que apresentavam estimativas favoráveis a Flávio Bolsonaro. Dino determinou que a PF identifique quem contratou e financiou essas publicações e se houve participação de pessoas ou organizações brasileiras. O magistrado também incluiu na investigação possíveis manipulações intencionais de algoritmos por empresas de internet para favorecer ou prejudicar candidaturas.
Na fundamentação, Dino mencionou relatos de restrições impostas pela Meta às contas de campanha de Lula, além de questionamentos sobre a recomendação de conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro. O ministro citou manifestações de especialistas da Organização das Nações Unidas, parlamentares norte-americanos e órgãos de supervisão da própria empresa. A investigação examinará ainda uma possível relação entre o financiamento político e interesses econômicos estrangeiros na exploração de terras raras e minerais críticos brasileiros, para verificar se ofertas de apoio eleitoral estavam condicionadas a contrapartidas relacionadas aos recursos do país.
A decisão analisou uma petição do Partido dos Trabalhadores (PT), que solicitou a aplicação de entendimentos do STF sobre soberania nacional às interferências estrangeiras nas eleições. Dino rejeitou o ingresso da legenda como amicus curiae na ADPF 1.178, afirmando que as questões eleitorais devem ser examinadas em procedimentos próprios para não ampliar o objeto original da ação. O magistrado afirmou que a Constituição e a legislação eleitoral proíbem o recebimento de recursos estrangeiros por partidos e candidatos.
O diretor-geral da PF foi determinado a informar ao STF o número do inquérito instaurado. A decisão também foi comunicada ao Ministério da Justiça, Ministério das Relações Exteriores, Agência Brasileira de Inteligência, Banco Central, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras para avaliação de providências. A Procuradoria-Geral da República também será cientificada.
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