
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, recebeu nesta terça-feira (27) a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) para debater o "futuro do partido". O encontro ocorreu no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, dois dias após perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Valdemar informou em publicação nas redes sociais que recebeu Michelle para uma conversa sobre o futuro do partido e os desafios à frente, afirmando que seguem unidos com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil. Antes do encontro, o dirigente convocou uma reunião de emergência com parlamentares do PL após a divulgação da viagem de Flávio.
No dia anterior, o senador Flávio Bolsonaro havia declarado que não pretendia deixar o país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de sair do Brasil. Após a reunião convocada por Valdemar, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, afirmou ter ficado surpreso com a decisão do aliado e questionou a ordem de Moraes. Michelle Bolsonaro comentou em redes sociais uma notícia sobre sua suposta confirmação da saída do enteado, reagindo com "Procurada??? Eeeeita, fofoca!!!".
Flávio, a esposa e as duas filhas teriam saído do Brasil pela Argentina para os Estados Unidos. Veículos de imprensa informam que o senador já teria desembarcado na Flórida, onde seria recebido pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo a imprensa dos Estados Unidos, o governo de Donald Trump concederá vistos para Flávio e sua família.
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorreu após uma sequência de medidas judiciais impostas por Alexandre de Moraes contra integrantes da família Bolsonaro. Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, o ministro determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais. No mês seguinte, as cautelares foram convertidas em prisão domiciliar, sob alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, foi decretada a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram utilizadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor de seu pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão de quatro anos e dois meses, a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos Estados Unidos. Em outro processo relatado por Moraes, Eduardo foi condenado em setembro deste ano por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas em 2021.
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