
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou ministros e auxiliares a evitarem elevar o tom sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos (EUA) após a derrota nas eleições. A gestão busca conter desgastes e trata o episódio como um assunto a ser resolvido pela Justiça. A intenção do governo é se afastar do caso para evitar alimentar o discurso de que a família Bolsonaro seja alvo de perseguição por parte do governo brasileiro, reforçando que a situação do senador é de responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal (PF).
A orientação foi informada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira. A instrução ocorreu após Lula criticar publicamente a decisão de Flávio de deixar o país após a derrota nas urnas. No dia 27/10, durante comemoração de seu aniversário no Palácio da Alvorada, o presidente classificou a atitude do adversário como "vergonhosa" e declarou que a família Bolsonaro "lambe botas" dos Estados Unidos. Lula afirmou ainda que, se um cidadão "sai escondido do país, é porque deve alguma coisa", acrescentando que "quem não deve não teme". O presidente também chamou Flávio de "miliciano" e afirmou que o senador não pode declarar que não há democracia no Brasil.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira, acompanhado da esposa e das duas filhas, pela fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu (PR). Ele embarcou em um jato particular com destino ao Equador e, após uma parada, seguiu para Miami. Ao deixar o país, o senador descumpriu uma ordem judicial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que determinava a entrega dos passaportes em 24 horas. Flávio é investigado por lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e um negócio de apostas on-line.
Em solo norte-americano, nesta quarta-feira (28/10), o senador publicou uma carta na qual se declarava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, ele divulgou uma nova versão do texto sem esse trecho, apresentando-se apenas como "líder do Brasil". O documento contém acusações sobre supostas fraudes no processo eleitoral e afirma que integrantes do Judiciário promoveriam perseguição política contra ele e sua família. Flávio nega ter fugido e afirma que pretende liderar a oposição no Brasil, mantenham a atuação política no país.
O governo avalia que a fuga de Flávio Bolsonaro pode aumentar a tensão entre Brasil e Estados Unidos, mas auxiliares do presidente acreditam que o episódio não impede a busca por uma relação pragmática com a administração Trump. O governo destaca que os EUA já serviram de abrigo a outros nomes do bolsonarismo sem impedir o diálogo com a Casa Branca. O governo optou por não reagir a declarações de Donald Trump sobre o pleito brasileiro para evitar polêmicas desnecessárias.
O senador foi derrotado no segundo turno das eleições, obtendo 48,21% dos votos, enquanto Lula obteve 51,79%. O resultado foi reconhecido pela oposição, incluindo pelo Partido Liberal (PL) e pelo candidato a vice Alfredo Gaspar (PL-AL), além de ser validado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por lideranças da comunidade internacional.
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