
A aplicação das provas de vestibular e do Enem exige que os candidatos relacionem situações atuais a conceitos de pensadores como Karl Marx e Émile Durkheim. Segundo professores consultados pelo G1, as bancas examinadoras buscam a articulação entre teoria sociológica e contextos concretos da sociedade. A primeira fase da Fuvest será realizada em 1º de novembro; o Enem será aplicado nos dias 15 e 22; e a primeira fase da Unesp ocorrerá em 22 de novembro.
A educadora Alice Arbex de Souza, do Cursinho Popular Herbert de Souza, destaca que os vestibulares da USP, Unesp e o Enem possuem características próprias, mas compartilham a interdisciplinaridade com história, geografia e literatura. Na Fuvest, há maior exigência de conhecimento específico de conceitos clássicos e contemporâneos. A prova da Unesp utiliza diversas linguagens, como imagens e gráficos, enquanto o Enem possui perfil interpretativo, focando em temas como cidadania, democracia e direitos humanos.
A análise sociológica busca compreender a complexidade dos eventos. Exemplos citados incluem a leitura de Marx sobre o trabalho mediado por plataformas e a fetichização das redes sociais para analisar estruturas invisibilizadas. O professor Bruno Baruffati aponta cinco eixos centrais para revisão: Antropologia (cultura, etnocentrismo e diversidade); Política (democracia, totalitarismo e legitimidade do poder); Movimentos sociais; Tecnologia, redes sociais e relações de trabalho (incluindo a uberização); e Interseccionalidade (raça, classe e gênero).
Para o desempenho nas provas, orienta-se identificar o tema central, conectar com um autor do repertório, evitar o senso comum que individualiza problemas sociais e manter um olhar crítico. Alice Arbex de Souza alerta para o cuidado com questões que atribuem a raiz de problemas como o desemprego apenas à responsabilidade individual, ignorando processos macroestruturais. Um exemplo de aplicação prática é a questão 45 da Fuvest de 2023, que relaciona a definição de Estado de Max Weber ao contexto das milícias no Rio de Janeiro para analisar o monopólio do uso legítimo da violência.
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