
O jornal norte-americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou, nesta quarta-feira (28), um editorial afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está sendo alvo de vingança política no Brasil. O texto, intitulado “No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”, afirma que, enquanto se espera que vencedores na política sejam magnânimos com os derrotados, no Brasil eles processam os perdedores.
O jornal relatou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro logo após a reeleição de Lula no domingo. O WSJ informou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou um pedido da Polícia Federal para a apreensão dos documentos de viagem do senador. Segundo o jornal, Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira e chegou a Miami na quarta-feira, onde recebeu vistos para sua família por parte do governo dos Estados Unidos.
O texto ressalta que, embora seja alvo de investigações, Flávio não foi formalmente acusado de crime. O editorial cita declarações de Lula durante um debate eleitoral na Band, uma semana antes do segundo turno (25), em que o presidente afirmou que, caso Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações. No debate, Lula afirmou ao adversário: “Você se prepare, porque no dia 25, você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar. Se os seus amigos não estão deixando andar, agora vai andar”.
O The Wall Street Journal afirmou que o ministro Alexandre de Moraes tem adotado a prática de ampliar sua própria jurisdição para atender objetivos políticos, citando a participação do magistrado na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão em 2025 por acusações de tentativa de golpe de Estado. O jornal mencionou que Flávio Bolsonaro se junta a outros jornalistas e influenciadores que optaram pelo exílio para evitar o risco de prisão, cenário que o veículo descreveu como comum desde que o STF anulou a condenação de Lula por corrupção em 2017.
O editorial também mencionou que Lula poderá indicar até quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) em seu mandato atual. O texto citou as cadeiras que ficarão vagas devido à aposentadoria compulsória dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes entre 2028 e 2030, além da vaga deixada por Luís Roberto Barroso em 2025. O jornal concluiu afirmando que cabe ao novo Senado defender a integridade do Judiciário e comparou o cenário brasileiro com trajetórias de países que transitam para a autocracia após a apropriação do Judiciário pelo poder executivo.
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