
O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos nesta quarta-feira (28/10), após a derrota no pleito que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após chegar ao país, o senador publicou uma carta criticando o sistema eleitoral brasileiro e autointitulando-se como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Horas depois, ele publicou uma nova versão do texto, substituindo o título por "líder do Brasil".
Membros do Partido Liberal (PL) declararam não possuir provas de fraude nas eleições. O senador e líder da oposição, Rogério Marinho (PL), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que o partido não pode fazer afirmações sem provas. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse não ter gostado da carta enviada pelo senador. O documento original continha um brasão dos "Estados Unidos do Brazil" com a letra Z, elementos que foram retirados na terceira versão do texto.
O resultado das eleições, em que Lula obteve 51,79% dos votos e Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por órgãos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Centro Carter.
Após a derrota, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a devolução de passaportes de Flávio Bolsonaro após a Polícia Federal (PF) apontar risco de fuga. O senador não cumpriu a decisão judicial e deixou o país com um passaporte italiano. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederia vistos ao senador e sua família para entrada no país. O político é investigado pela Polícia Federal em processos sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Líderes internacionais não endossaram a narrativa do senador. Na América do Sul, presidentes da Colômbia (Aberlado de la Spriella), Paraguai (Santiago Peña) e Chile (José António Kast) reconheceram a vitória de Lula. O presidente do Equador, Daniel Noboa, também reconheceu o resultado e parabenizou o petista. Embora Donald Trump e Javier Milei não tenham reconhecido a reeleição de Lula até o momento, nenhum dos dois líderes declarou apoiar o discurso de Flávio Bolsonaro como "verdadeiro presidente eleito".
Donald Trump apresentou declarações contraditórias sobre o pleito; afirmou gostar de Lula, mas questionou a prorrogação concedida e disse que as eleições "parecem terem sido fraudadas", sem apresentar comprovações. A vitória de Lula também foi reconhecida pela primeira-ministra da Itália, Geogia Meloni, e pelo presidente de El Salvador, Naybe Bukele.
Mín. 17° Máx. 26°