
A experiência de votar em colégios eleitorais de Campinas envolve obstáculos que começam antes do acionamento da urna. Robson Barbosa, portador de baixa visão devido ao glaucoma hereditário, percorreu cerca de 1,5 quilômetro a pé no bairro Jardim dos Oliveiras para chegar à escola onde votou. Ele relatou que o acesso exige subir uma escada, gerando insegurança em comparação com uma rampa. No local de votação, ele precisou contar com a esposa para informar os números enquanto digitava, pois o fone da urna não funcionou adequadamente. Francisco Rodrigues, aos 93 anos, enfrentou a dificuldade de subir mais de 20 degraus distribuídos em dois lances de escada para chegar à sala eleitoral, sendo que a seção foi transferida recentemente do térreo para um andar superior.
As barreiras se manifestam também no trajeto e na infraestrutura dos locais. Ivonildes Almeida Mendes, de 72 anos, precisou caminhar lentamente pelo bairro Santa Marta até a Emef Prof. Benevenuto de Figueiredo Torres, onde encontrou uma grande quantidade de santinhos espalhados pelo chão da entrada. Rita de Cássia Nunes, residente no bairro Carlos Lourenço e votando em São José, teve que acordar às 5h e utilizar dois ônibus para chegar ao colégio eleitoral, que também possui escada de acesso, o que dificulta sua locomoção após um atropelamento há doze anos.
Os relatos demonstram a variedade dos desafios encontrados pelos eleitores. Além das dificuldades estruturais como escadas e trajetos longos, a adaptação tecnológica é citada por Robson, que teve dificuldade com o recurso de áudio da urna em 2022. Em São José, equipes do colégio utilizaram sopradores e vassouras para retirar os papéis soltos da entrada devido ao risco de tropeços. Apesar dos obstáculos — seja a distância percorrida, como no caso de Ivonildes, ou a dificuldade motora, como em Francisco —, os eleitores relatam que o voto continua sendo uma forma essencial de participação nas decisões do país.
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