
O ministro Dario Durigan, da Fazenda, classificou como não eleitoral uma nova isenção de impostos federais sobre o preço da gasolina, apesar do anúncio ter ocorrido apenas 16 dias antes do segundo turno das eleições presidenciais. A medida reajusta o benefício de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, gerando um impacto estimado de R$ 5,2 bilhões nas contas públicas ao longo dos próximos 30 dias, considerando as ações abrangentes para gasolina, diesel e etanol.
Embora a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribua o movimento à instabilidade no mercado internacional decorrente da guerra no Oriente Médio – onde o barril Brent está cotado em torno de US$ 104, cerca de 60% acima do valor anual anterior –, os bastidores apontam para uma jogada política clara. O governo sustenta que a contenção dos preços é fundamental para evitar que a população absorva integralmente a alta internacional, numa manobra vista como essencial para reduzir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas pré-eleitorais.
Em coletiva de imprensa, Durigan afirmou categoricamente: “Não tem nenhuma mudança em relação ao timing eleitoral por conta do anúncio”. Contudo, é notório que o subsídio visa proteger os consumidores e reforçar a linha governamental de utilizar os recursos gerados pelo aumento da arrecadação petroleira. Bruno Moretti, ministro do Planejamento, complementou essa visão, destacando a necessidade de renovar o decreto para mitigar os efeitos dos preços internacionais, garantindo que esse alívio chegue à bomba.
A sustentação oficial se apoia na pressão externa, mas a eficácia da medida é clara no cenário político brasileiro de 2026. Renato Dutra, secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, reforçou ainda o lado logístico positivo, afirmando que as reuniões semanais garantem que o abastecimento de óleo diesel para outubro está assegurado, atendendo à demanda em torno de 6%.
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