
Na sexta-feira, 2 de outubro, dois dias antes das urnas, Alexandre de Moraes formalizou a progressão de Débora Rodrigues dos Santos ao regime semiaberto. Embora a notícia tenha sido conhecida pelo país na terça, a decisão magnânima coube ao ministro em um momento estratégico crucial. O Partido Liberal (PL) elegeu 121 deputados, marcando a maior bancada de um único partido desde 1986, e conquistou 19 das 54 vagas disputadas no Senado, garantindo a maior força legislativa a partir de 2027. É nesse cenário que o "inquisidor" protagonizou o ato de clemência de oportunidade mais conveniente da semana.
O pedido original de progressão já estava nos autos desde 8 de agosto de 2025, e durante 14 meses, a cabeleireira condenada a 14 anos por registrar “Perdeu, mané” com batom numa estátua não conseguiu despertar a compaixão do magistrado. O mesmo ministro que negou por dois anos a prisão domiciliar, ignorando o habeas corpus coletivo protetor das mães de crianças pequenas que o próprio Supremo havia defendido, agora demonstra uma súbita vocação franciscana diante do termômetro eleitoral em brasa.
Contudo, Moraes não abre mão da máscara totalmente. Na quarta-feira, a defesa recorreu contra o que denominou "semiaberto fake". As restrições foram mantidas, incluindo a proibição de acesso à internet, entrevistas e visitas específicas, além da necessidade de licença do carcereiro para sair de casa; Débora ainda não pode levar os filhos à escola. Os advogados alertaram que "não basta mudar o nome do regime nos autos", pois trocou-se apenas o rótulo do frasco, mas o veneno permanece idêntico.
Não há sinais de arrependimento no magistrado que veste toga; é pura sobrevivência política. Quem transformou a cadeira do Supremo em trincheira de perseguição e escudo contra qualquer escrutínio, acumulando papéis de vítima, investigador, acusador e juiz no Inquérito do Fim do Mundo, sabe exatamente como farejar uma mudança no jogo de forças. Ele reconhece que o novo Parlamento terá votos e disposição para cobrar a conta por sete anos de inquéritos intermináveis e censura imposta a veículos e perfis, e é justo que ele espere pela cobrança por esta mãe presa por causa de um batom.
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