
Ao menos 443 detenções arbitrárias e 97 incidentes de maus-tratos contra civis foram registrados no Afeganistão entre julho e setembro deste ano. A informação consta em relatório sobre as condições no país após o Talibã retomar o poder há cerca de cinco anos, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (15/10).
Segundo o levantamento da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), os casos foram cometidos por autoridades do Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício. O papel do órgão, restaurado após o retorno do Talibã ao governo, é atuar como uma espécie de polícia moral. A Unama afirma que as principais justificativas para as prisões foram violações no uso do hijab — o véu tradicional utilizado por algumas mulheres muçulmanas —, e questões sobre a aparência de homens afegãos, como cortes de cabelo e barbas.
O relatório da ONU também destaca detenções arbitrárias contra ex-oficiais das Forças Armadas do Afeganistão do antigo governo. O documento aponta que ao menos 14 prisões do tipo foram identificadas entre 1º de julho e 30 de setembro. Quatro ex-militares afegãos também foram mortos durante o mesmo período.
Violações contra os direitos das mulheres também foram investigadas pela missão da ONU, que encontrou casos onde afegãs foram proibidas de entrar em hospitais e shoppings por não estarem acompanhadas por um membro de suas famílias. Após reassumir o poder, o Talibã impôs a interpretação radical da sharia (lei islâmica) no país, o que resultou no isolamento internacional do país devido a críticas sobre o tratamento do grupo em relação aos direitos humanos e de mulheres. Mulheres não podem ocupar cargos públicos, frequentar escolas ou usar métodos contraceptivos, além de estarem proibidas de sair de casa desacompanhadas.
O Talibã acusou a ONU de "parcialidade" após a publicação do novo relatório sobre o Afeganistão. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o porta-voz do grupo, Zabihullah Mujahid, afirmou que todas as detenções ocorreram "em conformidade com as leis e regulamentos" do país e que o objetivo seria "prevenir atos contrários à sharia islâmica".
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