
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou, nesta quinta-feira (15/10), que a Ucrânia deveria ter considerado as consequências antes de atacar mercados e outras instalações em território russo. A declaração ocorre em meio à escalada dos ataques contra infraestruturas dos dois países e à troca de acusações sobre os alvos atingidos durante a guerra.
“Eles deram o primeiro passo. Nós começamos a responder”, declarou Putin. Segundo o líder do Kremlin, Kiev passou a reclamar de ataques contra instalações de energia, centros de dados e outros alvos após as operações de retaliação de Moscou. "Eles começaram. Não deveriam ter feito isso. Antes de dar esse passo, deveriam ter pensado cuidadosamente nas consequências", acrescentou Putin. O presidente russo também acusou o governo ucraniano de recorrer aos países que o apoiam quando enfrenta ataques russos, afirmando que Kiev pede que seus aliados pressionem o Kremlin em resposta às ofensivas contra a infraestrutura do país.
As declarações de Putin foram feitas após uma série de bombardeios russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Na quarta-feira (14/10), mais de 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. De acordo com Zelensky, a Rússia lançou mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos contra Kiev e Kharkiv. Instalações de energia estiveram entre os principais alvos, e os ataques provocaram apagões e danos a estruturas dos setores de petróleo e gás.
O presidente ucraniano também afirmou que a ofensiva contrariou a trégua no setor energético anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no fim de semana anterior. "Essa é justamente a infraestrutura abrangida pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente americano", escreveu Zelensky. Na terça-feira (13/10), um ataque com mísseis balísticos atingiu uma importante usina de energia em Kiev e danificou um edifício residencial. Zelensky reclamou que o país não recebeu alertas antecipados dos aliados antes da ofensiva e disse que as defesas aéreas detectaram os projéteis quando eles já se aproximavam da capital.
A escalada militar ocorre em meio ao desgaste nas relações entre Kiev e Washington. Na quarta-feira (14/10), Zelensky afirmou que é "doloroso" ver Trump assumir uma posição que, na avaliação do ucraniano, contraria os interesses de seu país. "É doloroso quando o presidente Trump escolhe um lado, e não o nosso", declarou. O presidente ucraniano acrescentou que os Estados Unidos precisam manter coerência caso pretendam atuar como intermediários no conflito. "Se você está no meio, tem que permanecer no meio", disse.
As críticas vieram após Trump defender, no fim de semana, a substituição de Zelensky e questionar a capacidade do líder ucraniano de negociar um acordo para encerrar a guerra. "Sugiro que eles encontrem um novo líder que consiga fechar acordos, porque ele poderia ter fechado muitos acordos e, por algum motivo, nunca o faz", afirmou o presidente americano.
Mín. 20° Máx. 33°