
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a ausência de fechamento do Túnel do Anhangabaú antes do alagamento ocorrido na tarde de 14 de outubro. O evento resultou em veículos submersos e motoristas ilhados na região central da capital paulista. Em declaração no Palácio dos Bandeirantes, nesta quinta-feira, 15, o governador afirmou que os alertas e investimentos em prevenção devem ser acompanhados pela ação da população, ressaltando que "não adianta alerta se o cidadão não fizer a sua parte".
O governo do estado anunciou um pacote de R$ 29 bilhões até 2029 para ações de prevenção e combate a desastres climáticos por meio da operação "SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027". A iniciativa substitui a antiga Operação Chuvas e inclui monitoramento diário, alertas via celular e um gabinete especial. O plano prevê R$ 1 bilhão para piscinões, R$ 1,7 bilhão para desassoreamento de rios e córregos e R$ 1,7 bilhão em barragens, além de medidas para segurança hídrica e reassentamento de famílias em áreas de risco.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que o volume de água foi superior à capacidade do sistema de drenagem e justificou a não interdição antecipada do túnel por esse motivo. Segundo dados da Prefeitura, choveu 42 milímetros em 40 minutos na região do Anhangabaú, o que corresponde a cerca de 37% dos 112 milímetros previstos para o mês de outubro. A administração municipal informou que as seis bombas fixas funcionaram sem interrupção, mas a vazão foi insuficiente.
O prefeito declarou que pretende revisar os protocolos de segurança e avaliar a ampliação da capacidade das bombas. Nunes defendeu os procedimentos adotados pela gestão, afirmando que a resposta no túnel foi rápida e o nível da água foi reduzido em menos de uma hora após a mobilização de equipes e bombas adicionais. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mantém um protocolo para interdição preventiva desde 2006.
A Prefeitura de São Paulo informou que irá apurar a atuação do agente de trânsito responsável pela região para esclarecer por que o bloqueio não ocorreu no sentido em que os veículos ficaram presos. O temporal também causou outros transtornos na capital, incluindo um deslizamento de terra na Brasilândia que resultou na morte de uma mulher de 47 anos, além de alagamentos em vias e transbordamento do lago do Parque Ibirapuera.
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