
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN na noite de sábado (17), que gostaria de firmar um acordo de delação premiada no âmbito dos inquéritos em que é investigada pela Polícia Federal (PF). Caso a colaboração avance, ela afirma que não pretende poupar ninguém, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A empresária afirmou que pode fornecer informações que, segundo ela, não constam nos aparelhos e documentos apreendidos durante as investigações.
A possibilidade de delação ocorre em meio ao conflito público entre a lobista e o presidente. Roberta acusa Lula de mentir sobre a relação entre ambos e de utilizar sua posição para atribuir a ela responsabilidades que, segundo afirma, não seriam suas. O presidente já a chamou de "pilantra" e afirmou não conhecê-la em duas ocasiões anteriores. A empresária reagiu dizendo que, caso Lula não se lembre dela, pode estar "esclerosado", além de classificá-lo como "mau caráter". Ela nega ter cometido irregularidades e afirma que vem sendo ameaçada desde que seu nome apareceu nas investigações.
Roberta Luchsinger tem 41 anos e aproximou-se do PT em 2017, durante o período em que Lula enfrentava processos da Operação Lava Jato. Em 2018, concorreu a deputada estadual por São Paulo pelo partido, mas não foi eleita. A proximidade com Lulinha é um dos pontos centrais dos inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e tentativas de intermediar negócios com órgãos públicos federais.
A empresária afirmou que está lutando contra uma máquina pública que a quis fazer calar, que está sendo coagida e perdeu contratos. Sobre a colaboração com a Justiça, ela disse possuir informações não registradas em dispositivos eletrônicos recolhidos pela PF. A delação poderia ampliar o alcance das investigações para além do material já apreendido. Ela não detalhou as informações nem apresentou um relato completo sobre os episódios que pretende esclarecer, e não há confirmação de que um acordo de delação tenha sido formalmente apresentado até o momento.
A empresária afirma ser a melhor amiga de Lulinha e sustenta que o presidente tem conhecimento da relação com o filho. Ela afirmou que Lulinha se reunia semanalmente com ministros do governo federal, mas não detalhou as circunstâncias ou os assuntos tratados. Roberta também alegou que ministros e assessores chegaram a pedir favores a ela, incluindo Marco Aurélio Santana, ex-chefe de gabinete de Lula. Ela afirma não ter tido contrato público.
A relação entre a empresária e a família do presidente é um dos pontos de maior tensão no caso. Lula declarou não conhecer a empresária, enquanto registros públicos mostram os dois juntos. Roberta afirmou que ajudou na mudança de Lulinha para a Espanha, mas negou contribuição financeira. Ela nega ter usado a proximidade com o filho do presidente para obter contratos públicos e afirma que seu contato com Antônio Carlos Camilo Antunes estava relacionado a negócios com canabidiol.
Roberta e Lulinha são investigados em inquéritos da Polícia Federal sobre suspeitas de tráfico de influência e intermediação de negócios com órgãos federais, incluindo o Ministério da Saúde e a Dataprev. A empresária negou que tenha ocorrido tentativa de venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde nos termos apontados pelas investigações e negou participação em irregularidades relacionadas aos negócios sob apuração.
Em relação ao inquérito sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários, Roberta afirma que não possui ligação com o escândalo do INSS e que vem colaborando com a Justiça. Ela afirmou que as declarações de Lula intensificaram as ameaças contra ela e seus familiares, relatando receber cerca de 50 ameaças de morte por dia após ser chamada de "pilantra" pelo presidente. Ela não forneceu detalhes sobre a autoria das mensagens ou medidas investigativas sobre elas.
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