
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), negou irregularidades e afirmou que as investigações envolvendo seu cliente apresentam sinais de manipulação, direcionamento e "pescaria probatória". A manifestação foi apresentada em nota após a empresária e lobista Roberta Luchsinger declarar, em entrevista à CNN Brasil, que pretende realizar uma delação premiada. Em sua fala, a empresária chamou Lula de "mau caráter" e afirmou que não pouparia o presidente nem seu filho.
Assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, a nota afirma que Lulinha disponibilizou dados bancários, fiscais e telemáticos à Justiça para colaborar com as investigações. O documento sustenta que Fábio Luís Lula da Silva não cometeu irregularidades e que suas relações com políticos, inclusive integrantes do governo federal, seriam de caráter pessoal devido a vínculos construídos desde a infância, sem envolvimento em práticas ilegais.
A defesa questionou as declarações de Roberta Luchsinger, classificando-as como "insinuações públicas" e afirmando que seriam incompatíveis com o depoimento da lobista às autoridades. Segundo a nota, as manifestações de Roberta refletiriam insatisfação com declarações de Lula sobre o caráter dela e com a divulgação de informações sigilosas relacionadas às investigações.
O advogado afirmou ainda que a quebra do sigilo telefônico de Roberta Luchsinger, realizada no âmbito da investigação sobre irregularidades no INSS, teria buscado informações sobre Lulinha referentes a um período anterior ao início da relação da empresária com Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Para a defesa, esse procedimento seria indício de direcionamento das apurações. De acordo com Santos, Lulinha não foi indiciado na operação relacionada às fraudes no INSS.
As declarações da defesa foram publicadas após entrevista de Roberta Luchsinger à CNN Brasil no sábado (17). Investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de tráfico de influência envolvendo relações com integrantes do governo federal, a empresária disse que pretende colaborar com a Justiça e apresentar informações que, segundo ela, ainda não constam nos aparelhos e documentos apreendidos.
"Eu não vou poupar ninguém", declarou Roberta ao mencionar o presidente Lula e seu filho como pessoas sobre as quais estaria disposta a prestar esclarecimentos. Segundo a empresária, Lulinha participou de reuniões com ministros do governo federal e o presidente teria conhecimento desses encontros. "Acho que um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele, ou ele é um mentiroso ao dizer que não sabe, ou ele está senil esclerosado", afirmou Roberta à CNN.
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