
A proposta da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) de implementar uma regra de transição para o programa Bolsa Família motivou aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a intensificarem críticas ao plano de corte de gastos, denominado pelo candidato como "tesouraço". A estratégia dos aliados do petista inclui associar o corte de despesas a medidas adotadas pelo governo anterior em programas sociais.
A declaração da coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, serviu de base para essa movimentação. Em entrevista à rádio CBN na Bahia, ela afirmou que beneficiários do Bolsa Família teriam um prazo de dois anos para obter um emprego formal ou abrir uma empresa, com retorno automático ao programa caso não obtivessem sucesso. "As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada", afirmou a assessora do candidato do PL.
O trecho da entrevista foi compartilhado por aliados do petista nas redes sociais, com alegações de que a medida levaria ao desligamento de beneficiários. O conteúdo foi reproduzido pelo perfil oficial do PT e republicado pela conta do presidente Lula. Além disso, o partido resgatou uma postagem antiga de Flávio Bolsonaro, na qual ele chamava o programa de "bolsa-farelo", postagem que foi removida posteriormente.
Em resposta às publicações, o senador Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para negar que pretendesse acabar com o programa e acusou a campanha petista de "espalhar fake news". O parlamentar afirmou que o retorno ao programa seria automático em um eventual governo do PL caso o beneficiário perdesse o emprego ou não mantivesse seu negócio. Flávio também alegou que Lula tenta assustar os beneficiários com informações falsas.
O programa Bolsa Família possui atualmente uma regra de transição para beneficiários que ingressam no mercado de trabalho e aumentam sua renda. Sob a Regra de Proteção, o beneficiário pode continuar recebendo 50% do valor anterior por até 18 meses, desde que a renda mensal por pessoa não ultrapasse R$ 706. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informa que o objetivo é evitar o cancelamento imediato do benefício durante o processo de adaptação ao emprego.
O governo federal anunciou recentemente um reajuste de 15% no Bolsa Família, com valor mínimo de R$ 691 e médio de R$ 777. Além disso, foi anunciada a antecipação dos pagamentos para mitigar os efeitos do El Niño sobre a população vulnerável. O calendário de pagamentos foi definido para o período entre 19 e 21 de outubro.
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