
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou, nesta quarta-feira (20/10), que a Polícia Federal investigue a disputa pelos direitos de ocupação de um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O imóvel envolve o atacante Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeo publicado no Instagram, Lula questionou a rapidez com que os direitos sobre a propriedade teriam sido transferidos para o grupo ligado ao advogado.
O presidente afirmou que Richarlison investiu R$ 10 milhões no imóvel e que o pedido de regularização apresentado por ele à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) teria demorado meses para avançar. Segundo Lula, uma solicitação relacionada ao grupo de Willer Tomaz foi concluída em prazo menor após a participação de Flávio Bolsonaro. O presidente afirmou que o governo está investigando o caso e prometeu esclarecimentos ao jogador.
A controvérsia começou em 2020, quando Richarlison, por meio de uma empresa da qual era sócio, participou da negociação para adquirir os direitos de ocupação do imóvel. Segundo o centroavante, ele investiu cerca de R$ 10 milhões e perdeu os direitos que reivindicava sem receber o valor de volta. O jogador afirma que Flávio Bolsonaro demonstrou interesse na propriedade e que, após sua recusa em vendê-la, o senador e Willer Tomaz teriam atuado para assumir a posse.
A disputa judicial envolveu a empresa Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada ao jogador, e a WT Administração de Imóveis, ligada a Tomaz. Em 2023, a Sport 70 entrou com uma ação para obter o reconhecimento dos direitos de ocupação e anular atos que favoreceramem a empresa do advogado. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu em favor da WT, e o Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento em 2025. Posteriormente, a empresa ligada a Richarlison desistiu das reivindicações, e o processo foi extinto.
A manifestação de Lula ocorreu no mesmo dia em que Richarlison publicou um vídeo nas redes sociais para responder a um desafio de Willer Tomaz, que havia cobrado documentos que comprovassem os direitos reivindicados pelo atleta. Na gravação, o jogador apresentou documentos da aquisição e informações sobre processos na SPU, afirmando que seu pedido ficou sem conclusão por cerca de dez meses, enquanto uma solicitação relacionada à empresa de Tomaz teria sido concluída em um dia, em julho de 2022.
A versão do advogado é diferente. Tomaz afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos de ocupação da área e do imóvel. Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega envolvimento na disputa, embora tenha visitado a propriedade e sido incluído como testemunha no processo judicial. A disputa tornou-se pública em outubro, quando Richarlison cobrou publicamente Flávio Bolsonaro pela devolução do imóvel nas redes sociais.
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