
O presidente nacional do PSDB e deputado federal, Aécio Neves, criticou a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil após a derrota na eleição presidencial. Em carta divulgada do exterior, o senador contestou o resultado do pleito, autodeclarou-se presidente eleito e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira à distância. Aécio classificou a postura de Flávio como "incompreensível" e defendeu que a oposição seja exercida em território nacional, com respeito às instituições e ao processo eleitoral.
O parlamentar do PSDB afirmou que o exercício da oposição em uma democracia é relevante e deve ocorrer no país para fiscalizar os atos do governo e cobrar compromissos assumidos com a população. Neves declarou que o partido fará uma oposição "qualificada, firme e dura", mas que terá como princípios o respeito à democracia e à soberania popular. O deputado também afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) receberá uma "herança maldita" criada em grande parte pelo próprio governo durante as eleições, ressaltando que a atuação política deve seguir as regras democráticas.
O PSDB decidiu não apoiar formalmente nenhum dos candidatos no segundo turno e liberou seus diretórios regionais para se posicionarem. A eleição presidencial terminou com a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), por 51,79% a 48,21% dos votos válidos.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na terça-feira (27/10), cruzou a fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos em um avião particular, acompanhado da esposa e das duas filhas. A Polícia Federal (PF) informou que investiga as circunstâncias da saída do senador, após não encontrar registros de passagem por postos de controle migratório brasileiros. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão dos passaportes e a proibição de o senador deixar o país, em decorrência de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio nega irregularidades.
Nos Estados Unidos, o senador divulgou uma carta na qual acusa as instituições brasileiras de fraude eleitoral e perseguição política, sem apresentar provas. Na primeira versão do documento, ele se declarou o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Após a alteração do texto, passou a se apresentar como "líder do Brasil". Na carta, o senador agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo apoio, e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior.
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