
Com a situação política atual, Michelle Bolsonaro (PL-DF) deve ocupar posição central na representação do grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro a partir de 2027. Eleita senadora com quase 950 mil votos, ela ingressa no Congresso com uma rede de alianças em diversos estados e apoio de segmentos como mulheres, evangélicos e eleitores conservadores. A movimentação ocorre durante a reorganização do PL após a reeleição de Lula (PT) e a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Na terça-feira (27), Michelle reuniu-se com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do partido, para discutir o futuro da legenda e os desafios futuros. O encontro ocorreu no mesmo dia em que Costa Neto convocou parlamentares para uma reunião de emergência após notícias de que Flávio havia deixado o país rumo aos Estados Unidos. Ao divulgar foto com Michelle, o dirigente afirmou que seguem unidos, com diálogo, responsabilidade e compromisso com o Brasil.
A saída de Flávio surpreendeu integrantes da cúpula do partido. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, afirmou que a notícia veio após conversas sobre o papel que o filho do ex-presidente deveria assumir na oposição. Em quarta-feira (28), já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta em que se declarou "líder do Brasil" e prometeu comandar a oposição ao governo Lula.
Lideranças do PL no Congresso avaliam que Costa Neto busca reverter o momento de incerteza e rever a atuação da legenda. Com as maiores bancadas na Câmara e no Senado a partir do próximo ano, o partido precisa definir estratégias e administrar os efeitos da derrota presidencial. Além disso, discutem o caminho para a disputa pelas presidências das duas Casas em 2027. O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) iniciaram articulações para viabilizar suas reeleições. A eleição para o comando das Mesas ocorre em 1º de fevereiro do ano que vem, e integrantes do PL avaliam que Michelle poderá ganhar mais espaço na condução da direita nos próximos anos.
O protagonismo de Michelle depende de articulações internas no partido e da relação com os filhos de Jair Bolsonaro. Além dela, outros familiares foram eleitos: Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina, Jair Renan foi eleito deputado federal pelo estado e Renato Bolsonaro foi eleito deputado federal por São Paulo. A cúpula do PL espera que Michelle amplie sua influência pelas alianças construídas em diferentes regiões. Como presidente do PL Mulher, ela percorreu estados e mobilizou apoiadoras. Entre suas aliadas estão a governadora Celina Leão (PP), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC). Durante a campanha, ela também apoiou candidatas como Professora Dorinha (União) e Priscila Costa (PL-CE).
A especialista em comunicação pública Ana Nery de Farias afirma que o resultado das eleições de 2026 reflete uma mudança no papel político das primeiras-damas no Brasil, afirmando que a função está deixando de ser apenas coadjuvante. Segundo ela, a força eleitoral de uma primeira-dama pode ser independente da do marido devido à presença territorial e proximidade com a população. O cientista político Rodrigo Augusto Prando destaca que Michelle construiu uma fonte de legitimidade que não depende dos filhos de Jair Bolsonaro, definindo-a como um centro autônomo de legitimidade dentro do movimento.
Apesar da capilaridade política, Michelle enfrenta resistências na família para ampliar seu protagonismo. Interlocutores afirmam que os filhos de Jair Bolsonaro não a consideram parte do núcleo familiar que deve conduzir o legado político do ex-presidente. Embora citada como possibilidade para 2030, sua candidatura dependerá de desempenho no Congresso e aval de Jair Bolsonaro. Em julho, Valdemar Costa Neto afirmou que Bolsonaro não queria Michelle em cargo executivo antes que ela adquirisse experiência em mandato eletivo, tendo rejeitado a possibilidade de ela disputar o governo do Distrito Federal. Sobre uma possível composição como vice-presidente, o dirigente mencionou que, embora fosse uma opção técnica, o ex-presidente optou por Flávio para a disputa presidencial deste ano.
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