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Governo avalia isolamento de Donald Trump quanto ao resultado das eleições brasileiras

Palácio do Planalto considera que vitória de Lula enfraqueceu articulação de Flávio Bolsonaro no exterior

30/10/2026 às 04h39
Por: VV8 REDAÇÃO
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Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está isolado ao não reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras, que deram a vitória ao petista no dia 25/10. Segundo auxiliares do Executivo federal, não há espaço para questionamentos ao pleito, uma vez que o resultado foi reconhecido por lideranças internacionais, partidos brasileiros — incluindo o PL, legenda de Flávio Bolsonaro —, e representantes do Legislativo e Judiciário locais. Além dos Estados Unidos, países como Argentina e Israel, aliados de Trump, não parabenizaram Lula nem reconheceram oficialmente sua vitória. Javier Milei foi o único chefe de Estado da América do Sul a não cumprimentar o presidente brasileiro reeleito; o gesto foi feito por outros líderes da direita na região, como Abelardo de la Espriella (Colômbia), Santiago Peña (Paraguai), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).

O entendimento no governo é de que, pelo volume de votos de Lula (64 milhões) contra os 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, não há margem para que dúvidas sobre o processo eleitoral sejam consideradas legítimas. A gestão também avalia que está mais fortalecida do que no ano passado e que o resultado das urnas enfraqueceu a articulação política de Flávio no exterior. Após deixar o Brasil em 27/10, o senador publicou uma carta em território norte-americano onde se declarava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", mas recuou minutos depois para uma versão que o apresentava apenas como "líder do Brasil". O documento contém acusações sobre supostas fraudes no processo eleitoral e afirmações de perseguição política contra ele e a família Bolsonaro. O senador nega ter fugido do país e afirma que pretende liderar a oposição à distância.

Nesta quinta-feira, 29/10, Trump criticou as eleições brasileiras, classificando o pleito como uma "desgraça". O republicano afirmou que pretende conversar com Lula e disse que o petista teria pedido a ele que adotasse uma postura de neutralidade na disputa. Questionado sobre quem reconhecia como "legítimo presidente do Brasil", Trump não quis responder. Até o momento, não há registro de pedido de ligação entre os dois presidentes; eles poderão se encontrar durante a Cúpula do G20 em dezembro.

O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu para Miami via Guayaquil, no Equador. O jato particular foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, que confirmou participação no plano de fuga do senador. Trump autorizou a entrada temporária de Flávio no país. Segundo o The New York Times, o senador deve solicitar futuramente o green card, processo que pode ser acelerado como ocorreu com Eduardo Bolsonaro em julho deste ano.

Para integrantes do governo Lula, já estava claro antes da revelação sobre Miller que as gestões de Trump e Milei estavam envolvidas na operação que levou o senador aos Estados Unidos, apesar de a polícia federal argentina afirmar não ter registro da entrada da família no país. No segundo turno, Flávio Bolsonaro obteve 48,21% dos votos contra 51,79% de Lula. O resultado foi reconhecido pelo PL, pelo candidato a vice Alfredo Gaspar, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por observadores internacionais.

O Palácio do Planalto avalia que o governo não deve comentar o episódio para evitar trazer o assunto ao centro da agenda federal. A estratégia é reforçar que a situação do senador é de responsabilidade da Justiça e da Polícia Federal (PF). O governo também não pretende adotar medidas diplomáticas sobre o caso, aguardando as eleições de meio de mandato dos EUA em 3/11 para avaliar os próximos passos na relação com os Estados Unidos. Auxiliares de Lula acreditam que o episódio não impede a busca por uma relação pragmática com a administração Trump e com o governo argentino em áreas como comércio e segurança pública.

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