
O chanceler Mauro Vieira desembarcou em Atlanta, nesta sexta-feira (30/10), para a Cúpula de Chanceleres do G20. O encontro ocorre nos Estados Unidos e marca o primeiro compromisso entre autoridades brasileiras e norte-americanas após as eleições brasileiras, período marcado pelo silêncio da Casa Branca sobre a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reunião é presidida pelo Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Embora não haja uma reunião privada agendada entre Mauro Vieira e Rubio, é provável que ocorram conversas informais durante a agenda em Atlanta para discutir a Cúpula de Líderes, que acontece em dezembro.
Os encontros deste fim de semana devem tratar de questões práticas, como a elaboração da declaração final a ser assinada pelos países no final do ano. Integrantes do governo brasileiro avaliam com cautela as perspectivas de avanço nas discussões e apontam baixo engajamento por parte dos Estados Unidos na gestão atual do bloco. Segundo auxiliares e interlocutores do presidente Lula, o G20 perdeu capilaridade durante a gestão norte-americana devido às críticas de Donald Trump a organismos multilaterais e ao favorecimento de acordos bilaterais. O governo brasileiro aponta que a Casa Branca avançou pouco com as agendas do bloco em comparação à presidência anterior conduzida pelo Brasil, na qual foi lançada a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.
A viagem de Mauro Vieira ocorre em contexto de tensões entre os dois países. Em setembro, durante reunião em Milwaukee, o governo brasileiro divergiu da maioria das propostas econômicas que a presidência norte-americana tentou aprovar por consenso. Adicionalmente, a Casa Branca ainda não reconheceu o resultado do pleito que reelegeu Lula e Donald Trump fez declarações recentes alegando suspeita de fraude no processo eleitoral brasileiro.
A relação entre os países também é afetada pela situação de Flávio Bolsonaro (PL). O senador foi alvo de um pedido de devolução de passaportes pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a Polícia Federal (PF) apontar risco de fuga após a derrota nas eleições. A medida não foi cumprida e o senador deixou o Brasil em 27/10 utilizando um passaporte italiano, seguindo para Miami nos Estados Unidos após passar pela Argentina. O Departamento de Estado informou que concederia vistos para Flávio e sua família permanecerem no país. O político é investigado em três processos conduzidos pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Mín. 19° Máx. 28°