
Donald Trump publicou em sua rede social, a Truth Social, uma imagem do território da Groenlândia representada como uma base militar aérea e com uma grande bandeira dos Estados Unidos. A publicação feita no sábado (31/10) não contém legendas, apresentando apenas o texto “Welcome to Greenland” (Bem-vindos à Groenlândia).
A Groenlândia é um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca e possui governo local, parlamento, primeira-ministra, língua oficial e bandeira próprios. O governo dinamarquês é responsável pela defesa militar e política externa do território, além de fornecer subsídios financeiros para a economia local. A ilha ocupa uma área de 2.166.086 km², sendo composta por 80% de gelo e 410.000 km² de terra. O território possui reservas de terras raras e metais, além de posição estratégica no Ártico.
Durante seu primeiro mandato como presidente, Trump manifestou interesse em comprar a Groenlândia da Dinamarca, comparando a transação a um "grande negócio imobiliário". Na ocasião, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a ideia como "absurda" e afirmou que a ilha não estava à venda. Em seu segundo mandato, o tema foi tratado por Trump como prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos. Entre o fim de 2025 e o início de 2026, ele teria ameaçado a Dinamarca e aliados europeus com tarifas para obter o controle do território.
Em 22 de setembro, na sede da ONU, foi assinado o Acordo de Segurança do Ártico. Embora a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação do povo groenlandês tenham sido reafirmados sem a anexação do território aos Estados Unidos, o acordo estabelece que os EUA ganharam o direito de reativar e construir duas instalações militares estratégicas na região. A base espacial Pituffik será modernizada e ampliada, e aeronaves e embarcações americanas obtiveram direitos de sobrevoo, pouso e operação submersa em todo o território e águas da Groenlândia.
O acordo proíbe a instalação de bases militares permanentes por países que não sejam membros da Otan e restringe investidores fora do bloco ou da União Europeia de exercer influência em setores sensíveis da infraestrutura, como portos e aeroportos. Caso a Groenlândia se torne um país independente no futuro, o acordo prevê que ela permaneça na Otan e mantenha obrigações de defesa com os Estados Unidos. Segundo Trump, os Estados Unidos assumiram um papel de "controle permanente" sobre as necessidades estratégicas de defesa na ilha. O documento ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos da Dinamarca e da Groenlândia para entrar em vigor integralmente.
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