
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registrou três derrotas em políticas interna e externa nas últimas duas semanas. O cenário compromete a estratégia da gestão norte-americana de retomar influência no Hemisfério Ocidental, baseada na "Doutrina Donroe" — uma combinação entre o nome do atual presidente e a Doutrina Monroe, que historicamente buscava ampliar a presença dos Estados Unidos na América Latina e reduzir a influência de outras regiões.
No cenário interno, Trump perdeu a maioria no Congresso dos Estados Unidos após as eleições de meio de mandato ocorridas em 2 de novembro. O Partido Republicano perdeu o controle da Câmara dos Representantes e do Senado para o Partido Democrata. No pleito, os democratas elegeram 54 senadores (superando o mínimo de 50) e 247 deputados na Câmara. Nas disputas estaduais, o Partido Democrata elegeu cinco governadores a mais que em 2024, garantindo o comando de 28 estados, enquanto o Partido Republicano obteve 20.
Na América Latina, a primeira derrota citada ocorreu no dia 25 de outubro, durante as eleições presidenciais no Brasil. Flávio Bolsonaro (PL), que possui laços com Trump e defendia medidas como a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas e adesão ao Escudo das Américas, foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A vitória de Lula foi interpretada por interlocutores do Palácio do Planalto como um afastamento da possibilidade de influência norte-americana via Flávio Bolsonaro. Após a derrota, o senador brasileiro deslocou-se para os Estados Unidos, onde é investigado pela Justiça brasileira por supostas práticas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A segunda derrota na região ocorreu com a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, em 5 de novembro. Peña era um aliado de Trump que mantinha linha direta com a Casa Branca. A renúncia ocorreu após um escândalo financeiro envolvendo o Banco Ueno, considerado insolvente pelo Banco Central do Paraguai e alvo de investigação criminal pelo Ministério Público local. O presidente paraguaio foi acionista da empresa até março de 2025 e enfrentava um pedido de impeachment antes de decidir deixar o cargo.
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