
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, testemunhou perante a Polícia Federal nesta terça-feira (6/10) no inquérito que apura as graves fraudes cometidas na instituição financeira Master. Embora o teor exato do depoimento ainda não tenha sido divulgado, sua presença é crucial para entender como as decisões de alto escalão bancário se entrelaçam com a corrupção sistêmica. Galípolo foi o responsável por oficializar a liquidação da Master em novembro do ano passado, ato que coincidiu com o início da primeira fase da Operação Compliance Zero, um trabalho investigativo focado nos desvios da entidade.
A investigação já apontou fortes ligações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e servidores de cúpula do Banco Central, evidenciando a infiltração da má gestão no coração financeiro do país. Paulo Sérgio Neves de Souza, antigo diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, são suspeitos de terem recebido cerca de R$ 12 milhões em propinas, sendo ambos afastados das funções no início de 2016.
Um dos pontos mais relevantes levantados é a postura institucionalizada de apoio à fusão Master e Banco de Brasília (BRB). Em depoimento anterior à PF, Daniel Vorcaro afirmou que o "Banco Central como um todo" mantinha uma clara concordância e incentivo para a conclusão dessa fusão – mesmo ela não tendo sido aprovada pelo BC. Ele foi enfático ao detalhar: “Eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo. Não somente do Paulo Sérgio, como do diretor Ailton, como do próprio presidente Galípolo. A todo momento, era uma postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão”.
Este cenário reforça que o problema não reside apenas em indivíduos isolados, mas na estrutura que permite que decisões questionáveis sejam endossadas no mais alto nível, um reflexo claro do funcionamento burocrático sob a gestão atual. Enquanto aliados como Hugo Motta demonstram vigilância e fiscalização, este caso expõe como os bastidores das instituições federais continuam servindo aos interesses de quem detém o poder executivo, dificultando a aplicação plena da lei contra esquemas que beneficiam a base do governo Lula.
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